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20-03-2010 18:06

Resenha Internacional
Crise diplomática entre EUA e Israel monopoliza noticiário Internacional da semana

    Luanda – A crise diplomática entre os EUA e Israel, a continuidade dos protestos dos “camisas vermelhas” na Tailândia e a inclusão da Rússia às pressões sobre o Irão dominaram as manchetes da comunicação social internacional da semana que hoje termina.


    O Médio Oriente, que o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, visita hoje (sábado) registou esta semana mais eventos negativos do que positivos, para a paz que se pretende na região.


    A presente crise diplomática entre Washington e Telavive, tendo como base o projecto israelita de construir colonatos em Jerusalém Oriental, é a faceta mais evidente das dificuldades no caminho para o estabelecimento da confiança entre os judeus e palestinianos.


    Para começar a semana, no domingo, as agências e outros veículos mundiais de notícias reportaram que Israel tinha decidido prorrogar “o bloqueio total” da Cisjordânia e limitar o acesso à Esplanada das Mesquitas.


    O bloqueio que devia terminar à meia-noite de sábado, tinha sido determinado pelo ministro da Defesa, Ehud Barak, "por motivos de segurança", levando em conta que “havia risco de atentados”.


    O encerramento do acesso a Cisjordânia resultou do facto de, no dia anterior (sábado), duzentos manifestantes palestinianos enfrentarem soldados hebraicos, no posto de controlo militar de Kalendia, a Norte de Jerusalém, em protesto ao projecto da construção de novos colonatos, cujo anúncio foi ocorreu quando o vice-presidente dos EUA se encontrava na região.


     O acto irritou Washington e, na sequência, os políticos dos dois lados foram produzindo declarações públicas que culminaram com a actual crise diplomática entre os dois países.


    Na segunda-feira, a secretária do Departamento de Estado, Hillary Clinton, considerou "insultante" o anúncio do Governo israelita de construir 1600 novas casas num assentamento de Jerusalém Oriental.


    Hillary Clinton destacou que "foi um momento realmente muito infeliz e difícil para todos, para os Estados Unidos e para nosso vice-presidente, que estava lá para reafirmar o firme apoio" americano à segurança de Israel.


    Os norte-americanos viriam mesmo a cancelar a visita do seu enviado especial para a região, George Mitchell, prevista para a semana que hoje termina.


    Em reacção, na segunda-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou no Parlamento que o seu país já havia demonstrado "com palavras e factos" o seu compromisso com a paz e a construção de colonatos ia continuar.


    "O Governo de Israel provou no último ano o seu compromisso com a paz, tanto em palavras como em factos (…) a construção em Jerusalém continuará, como aconteceu durante os últimos 42 anos, o congelamento durante 10 meses da construção em Judeia-Samaria (nome bíblico da Cisjordânia) terminará na data prevista", assinalava em comunicado Netanyahu.


    Entretanto, na tentativa de se sanar este clima negativo na Terra Santa, o Quarteto para o Médio Oriente reuniu-se, na quinta-feira, em Moscovo.


    Em sentido oposto, o grupo integrado pela ONU, União Europeia, EUA e Rússia, pediu “ao Governo de Israel o congelamento de todas as suas actividades para a construção de assentamentos (...), desmantelar todos os assentamentos levantados desde Março de 2001 e parar de demolir edifícios e despejar as pessoas em Jerusalém Oriental".


    A Autoridade Palestiniana comemorou a declaração do Quarteto e expressou a esperança de ver o pedido concretizado na prática.


    Na semana que termina, através de imagens televisivas e fotográficas, o mundo assistiu a actos de protestos “pouco ortodoxos”, quando milhares de "camisas vermelhas", movimento que considera ilegítimo o actual governo tailandês formaram longas filas para a recolha de mil litros de sangue para derramar em frente da sede do governo.


    O sangue foi recolhido, despejado para dezenas de grandes garrafões de plástico e depois passados de mão em mão para a multidão.


        Outro assunto que teve enfoque na media internacional durante a semana em resenha foi o controverso programa nuclear do Irão.


    O presidente americano, Barack Obama, considerou, na quarta-feira, que interromper o programa nuclear iraniano é uma de suas "maiores prioridades", alertando para o perigo de uma corrida armamentista no Médio Oriente se Teerão conseguir desenvolver a bomba atómica.


    Obama prometeu sanções internacionais "agressivas" contra o Irão, que “está mais preocupado em oprimir seu povo do que em procurar uma solução para a sua questão nuclear, por meio da diplomacia”.


    Pela primeira vez, dois dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, nomeadamente China e Rússia, manifestaram “preocupações” com o problemático programa nuclear.    


    Na terça-feira, o ministro chinês afirmou que o tema é objecto de ampla atenção na comunidade internacional e “a China está muito preocupada com a situação actual".


    Rússia fez referência ao facto do Governo iraniano estar a desperdiçar oportunidades de diálogo com a comunidade internacional e as sanções poderem ser inevitáveis.


    Através do seu ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, Moscovo acha que “(Irão) deixa passar a oportunidade de estabelecer um diálogo correcto, mutuamente favorável, com base em propostas já feitas".


    "Como disse o presidente Medvedev, as sanções funcionam raramente, mas é possível chegar numa situação na qual sejam inevitáveis. E não descartamos que esta situação possa acontecer em relação ao Irão", disse Lavrov.


    No final da reunião do Quarteto (para o Médio Oriente), realizado em Moscovo, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, a chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, e o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, alertaram que a ONU pode adoptar novas sanções contra o Irão.


    "O Conselho de Segurança debate activamente que medidas podem ser tomadas no futuro, incluindo sanções. O programa nuclear do Irão é agora um dos problemas mais graves e alarmantes que precisam de solução", frisava Ban Ki-moo na ocasião.






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