São Paulo, Brasil - A Justiça do Rio de Janeiro condenou, em primeira instância, a companhia Air France a pagar mais de dois milhões de dólares à família da procuradora do estado Marcelle Lima, uma das vítimas do acidente de Junho de 2009.
Esta é a primeira pena ditada no Brasil contra a Air France pelo acidente do voo entre a capital carioca e Paris, que causou a morte de 228 pessoas no dia um de Junho do ano passado.
A empresa pode recorrer da sentença, que determina que a Air France deve pagar uma pensão mensal aos pais da procuradora, já que eles dependiam economicamente da vítima.
Além disso, os dois irmãos vão receber cerca de 500 mil reais em indemnização por danos morais.
A resolução judicial fala de "conduta negligente" por parte da companhia e acrescenta que "a situação agrava-se, pois o acidente foi a maior tragédia da aviação civil do país e uma das maiores do mundo".
Marcelle, que tinha 41 anos no dia do acidente, viajava acompanhada de seu parceiro, Marcelo Gomes, e o seu corpo não foi encontrado.
"A dor dos familiares ainda se multiplica pela impossibilidade de chorar, velar e sepultar o seu ente querido, o que mantém aberta uma ferida para toda a vida", diz o texto da sentença.
O avião, um Airbus A330 da Air France, caiu no oceano Atlântico quando cobria a rota entre aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e Paris em um acidente de causas ainda desconhecidas, principalmente por que a caixa negra do aparelho não foi encontrada.
Segundo o Organismo de Investigação de Acidentes da França (BEA, na sigla em francês), a aeronave não sofreu despressurização durante o voo e "provavelmente" estava inteira antes do impacto com a superfície marinha.
Além disso, o BEA pôs em dúvida a fiabilidade dos sensores Pitot, destinados a medir a velocidade dos aviões.