Cidade do Vaticano - O bispo de Ratisbona (Alemanha), Gerhard Muller, defendeu na quinta-feira, em Roma que os sacerdotes "manchados com delitos de pederastia" não podem continuar a exercer o ofício.
Em paralelo, o representante do Vaticano na sede da ONU em Genebra, Silvano Tomasi, afirmou "não existirem desculpas para esses comportamentos".
"Os sacerdotes que se mancham com delitos de pederastia não podem continuar como representantes de Cristo.
Todos sabem que este pecado exclui, expulsa do sacerdócio", declarou o prelado alemão, em cuja diocese se registaram casos de abusos sexuais contra menores na segunda metade do século passado, cometidos por padres católicos.
Muller, que participou na Pontifícia Universidad Lateranense de Roma num congresso em torno do Ano Sacerdotal, criticou a ministra alemã da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, que exigiu à Igreja Católica uma atitude mais consequente no processo de clarificação dos escândalos.
No congresso também interveio o observador permanente da Santa Sé na ONU em Genebra, Silvano Mara Tomasi, que considerou "não existirem desculpas" para estes comportamentos", segundo referiu a Rádio Vaticano.
Tomasi considerou que o abuso sexual sobre menores "é sempre um crime odioso", um pecado grave que ofende Deus e a dignidade humana.
O papa Bento XVI recebe em audiência hoje, sexta feira, o responsável máximo da igreja católica alemã, o arcebispo Robert Zollitsch, para se inteirar das investigaçõesem curso sobre os numerosos casos de abusos sexuais de menores em colégios e internatos na Alemanha.
Os casos, a maioria dos quais remonta às décadas de 1970 e 1980, envolvem 19 das 27 dioceses católicas.