Montevidéu - A Justiça do Uruguai condenou hoje, quinta-feira, a 30 anos de prisão o ex-ditador Juan María Bordaberry pelo golpe de Estado que liderou em 1973 e por crimes envolvendo o desaparecimento e a morte de pessoas.
A juíza Mariana Motta condenou Bordaberry pelo crime de atentar contra a Constituição, dentro do golpe de Estado, e por ter sido co-autor das violações aos direitos humanos ocorridas durante sua gestão.
O ex-ditador cumpre prisão domiciliar por outra pena de 30 anos, por ser considerado responsável pela morte de 14 uruguaios desaparecidos durante seu Governo.
A advogada Hebe Martínez Burlé, que apresentou a denúncia contra Bordaberry, afirmou hoje que a condenação não acrescenta anos à pena dele, "mas tem um enorme caráter simbólico para o Uruguai".
Martínez Burlé lembrou que a denúncia apresentada em 2002 foi apoiada por 1.500 membros de todos os partidos políticos.
"Não muda em nada o tempo de reclusão e não é nosso interesse. O tema é que é emblemático para nós, simbólico. Quando se viola a Constituição, quando se dá um golpe de Estado, com o tempo se vai pagar", enfatizou.
Bordaberry, que governou Uruguai como presidente constitucional entre 1972 e 1973, e como ditador até 1976, foi processado em 2006.
Primeiro esteve em prisão preventiva e, desde 2007, está em reclusão domiciliar por razões de saúde.
Hoje com 81 anos, Bordaberry liderou o golpe de Estado que em 27 de junho de 1973 derrubou o regime constitucional e instaurou a ditadura que duraria até 1985.
Em 1976, o regime militar o destituiu e o substituiu pelo então presidente do Conselho de Estado, Alberto Demicheli.