Moscovo - O anúncio de que o Irão iniciou a produção de urânio enriquecido a 20 porcento na indústria atómica de Natanz leva a "dúvidas" sobre as intenções do país em relação a essa questão, afirmou hoje o chefe do Conselho de Segurança Nacional da Rússia.
"O Irão alega que não está a tentar adquirir armas nucleares", lembrou Nikolai Patrushev, em declarações divulgadas por agências de notícias russas. "Mas acções como começar a enriquecer urânio a 20 porcento, levam a dúvidas em outros países e essas dúvidas são razoavelmente bem fundamentadas."
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, "acredita que é uma questão de semanas, não de meses" para que sejam aprovadas sanções, afirmou hoje um porta-voz do Pentágono.
As declarações foram divulgadas após um encontro, na segunda-feira, entre Gates e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Paris. Ambos concordaram em pressionar por novas sanções "duras" na ONU contra Teerão, disse um funcionário do escritório presidencial francês.
As potências ocidentais desconfiam que o regime islâmico mantenha um programa secreto para a produção de armas, mas o governo iraniano afirma ter apenas fins pacíficos, como a produção de energia.
O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível utilizado no funcionamento de indústrias nucleares. Caso esteja enriquecido a mais de 90 porcento, porém, o urânio pode ser usado em armas atómicas.