Bujumbura - O Burundi ameaçou transferir, à força, para um campo no Leste do país refugiados tutsis congoleses, aos quais as autoridades congolesas recusaram na quinta-feira a entrada na República Democrática do Congo.
Na quinta-feira, as autoridades congolesas fecharam o posto de Kavimvira, fronteiro com o Burundi, para impedir o regresso de cerca de 2.300 refugiados tutsis congoleses.
Kinshasa justificou o encerramento "provisório" do posto fronteiriço com a vontade de "preparar" e "enquadrar melhor" o repatriamento.
O governo burundinês, que tinha encetado na quinta-feira o repatriamento para a República Democrática do Congo dos refugiados, na maior parte dos casos fugidos da província de Kivu-Sul há cinco anos, pretende agora, em conformidade com a lei, transferí-los para o campo de Bwagiriza, que diz reunir "todas as condições de segurança".
Porém, os refugiados, instalados num campo em Mwaro, desejam regressar à República Democrática do Congo, tendo enfrentado as forças da ordem que tentam levá-los para outro campo.
Na segunda-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, presidido pelo antigo primeiro-ministro português António Guterres, aconselhou os refugiados congoleses no Burundi a "não voltarem, de momento", para Kivu-Sul devido à falta de segurança na região.