Luanda - O director em exercício do Instituto Nacional de Petróleos (INP), Alegria Raul Joaquim, admitiu, essa semana, no Kwanza Sul, que "Abril de 2014 deverá ser o período mais adequado para a entrada em funcionamento do Instituto Superior de Petróleos" em Angola, tendo para o feito sido já criada uma Comissão Instaladora coordenada pelo Ministério dos Petróleos e integrada pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia.
Alegria Raul Joaquim admitiu o facto em entrevista a jornalistas de órgãos públicos da Comunicação Social a propósito da actividade levada acabo no INP, mas escusou-se de avançar mais dados, remetendo à Comissão Instaladora como entidade autorizada a se pronunciar sobre o projecto.
"Foi criada uma Comissão Instaladora para a implementação do ensino superior que é coordenada pelo Ministério dos Petróleos e integra o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia. Essa comissão é que está autorizada a falar sobre o projecto. Aquilo que nós podemos dizer é que da experiência que temos, entendemos que Abril de 2014 deverá ser o período mais adequado para a entrada em funcionamento daquilo que poderá ser o Instituto Superior de Petróleos", disse quando questionado sobre a data da entrada em funcionamento da instituição.
A fonte informou que o INP executa, actualmente, um programa de desenvolvimento referente ao quadriénio 2009/2012 aprovado pelos Ministérios dos Petróleos e do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia que criaram uma Comissão Instaladora para a implementação de cursos superiores numa área adjacente a instituição, para que possa constituir numa grande base de apoio ao sector petrolífero.
Alegria Raul Joaquim argumentou que os custos para a formação de um técnico superior no exterior, podem corresponder a formação de uma turma de 30 pessoas no país, pelo que convirá fazer-se um investimento interno, de longo prazo, por formas que se possa rentabilizar melhor os recursos disponíveis.
Segundo a fonte, o INP, por razões da sua localização geográfica, precisa de gerar alguma autonomia em determinados serviços, porque funciona em regime de internato, onde os estudantes beneficiam quer de alimentação, assistência sanitária quer de serviços de saúde - a escola tem uma clínica com capacidade de atender mais de 800 pessoas que circulam pelo campo diariamente, entre outros serviços.
Regozijou-se com o facto de a instituição estar a beneficiar, já há quatro meses, de energia eléctrica a partir da barragem de Kambambe, o que reduziu de forma significativa os custos de consumo, porque os sistemas de produção de energia eléctrica consumiam cerca de três mil e 500 litros de gasóleo por dia.
Para si, o que fazem na Escola é melhorar cada vez mais. No dia 28 do mês passado foi colocada a disposição dos estudantes e dos professores uma biblioteca moderna. Não está ainda completamente equipada, mas já em condições de ser utilizada", disse, antes de reiterar que a instituição tem como um dos objectivos "melhorar a formação de quadros, permitindo que todos os técnicos que saiam da Escola sejam imediatamente absorvidos pelo mercado de emprego".
Informou existir um projecto de requalificação do sistema de água, pelo facto de o existente remontar de 1979. "A escola está a crescer e a capacidade de bombeamento tornou-se bastante reduzida. Vamos criar agora uma estação de tratamento das águas residuais, construir um ginásio e uma psinina para fins didácticos.
Como a nível da indústria hoje falasse muito do ambiente é a razão da criação da estação de tratamento das águas residuais, tudo visando sempre tornar o INP numa escola de referência para a indústria petrolífera angolana, regional e também no âmbito dos estados membros da Associação dos Países Africanos Produtores de Petróleo (APA).
A fonte enfatizou que a Direcção do INP está preocupada com a qualidade do corpo docente, a quem deve se "impor um investimento permanente no seu aperfeiçoamento", por formas que possa atingir os níveis que permitam o seu enquadramento no mercado, assistir conferências, fazer intervenções em fóruns de género e trocar experiências com outros conferencistas.
A propósito, garantiu estar-se a fazer investimentos e, neste momento, já iniciou-se um processo, no âmbito do qual 20 professores fazem uma formação de inglês na África do Sul e na Namíbia, outros 10 encontra-se também no exterior e em Setembro regressarão ao país para integrar um novo grupo. Depois dessa formação em língua inglesa, eles passarão a um aperfeiçoamento nas áreas técnicas.
Para Alegria Raul, escolheu-se a língua inglesa como prioridade, porque na actualidade todas as formações técnicas feitas no mundo é a base desse idioma desde a bibliografia, tecnologia, catálogos, daí a razão da primazia.
Em 2009, alguns finalistas do ano anterior beneficiaram de bolsas de estudo numa Universidade, na África do Sul, e, neste momento, outros três frequentam o 3º ano do curso de engenharia no mesmo país, enquanto em 2010 foram seleccionados oito bolseiros que frequentam aulas numa Universidades dos Estados Unidos da América (EUA), dos quais 3 fazem engenharia mecânica, igual número engenharia de petróleo e gás, um geografia de geociência e outro engenharia química.
No dia 22 de Agosto deverão ser integrados dez jovens angolanos, seleccionados pelo INP, que estão a fazer especialização em engenharia, através do INABE, no Instituto Argelino de Petróleos, na República Democrática da Argélia, nos vários cursos que vão iniciar, depois regressam visando a sua integração do corpo docente, porque pretende-se um rejuvenescimento do mesmo, porque a média de idade actual ronda os 50 anos.
"A idade é um posto, é experiência, mas por lei passam a reforma. Dai precisa-se de ser colocado ao lado de mais velho um jovem para depois adquirir essa experiência e caminhar sozinhos".