Luanda - A Secretária geral da Organização Inter-Africana do Café, OIAC, Josefa Correia Sacko, considerou hoje, em Luanda, uma das apostas da instituição, a instalação de centros de excelência para a conservação do material fitogenético do café.
Em entrevista à Angop, Josefa Sacko explicou que o continente está a atravessar momentos difíceis (crises e golpes de Estado), o que leva os camponeses a abandonarem o campo e, como consequência, algumas espécies ou variedades de café estão a desaparecer.
“Com o estabelecimento destes centros, vamos tentar conservar geneticamente esse património. Se ele desaparece, já não haverá produção cafeícola no continente”, salientou a diplomata angolana.
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Por isso, disse, neste momento a organização está a negociar com alguns parceiros (FAO, CEDEAO, União Africana e o BM), no sentido de obter financiamentos para a construção de dois centros.
Um de café robusto no Uganda e outro de arábica na Etiópia.
No Uganda, continuou, países como Angola, RDC, Cote Divoire e a república Centro Africana vão apoiar no abastecimento de algumas variedades.
Para o efeito, disse, a direcção de pesquisa e investigação do OIAC está já a trabalhar neste sentido, adiantando que “essa é a actual preocupação da organização”.
Josefa Sacko afirmou que a União Africana aprovou o projecto de construção dos referidos centros por achar importante para a Àfrica a sobrevivência da cultura no continente.
“Acredito que o próximo secretário-geral vai levar adiante os projectos iniciados" frisou.
Ao referir-se ao tempo que a organização permaneceu na República do Ugana (um ano) devido ao conflito na Cotê d'Ivoire, sede da OIAC, afirmou que a deslocação provocou alguns constrangimentos já que o ritmo de trabalho diminuiu, ao mesmo tempo que os funcionários estiveram divididos em dois grupos, (os nacionais em Abidjan e os estrangeiros no Ugana).
"Nesse período o que mais fizemos, é gerir os assuntos administrativos. Felizmente com as novas tecnologias conseguimos manter contacto com os que ficaram na sede da organização (Abidjan) via Internet".
“Há duas semanas o pessoal da OIAC regressou a Cotê d'Ivoire e está a retomar os seus trabalhos” sublinhou.