Luanda – Terminada a participação angolana nos Jogos Olímpicos de Londres entre 27 de Julho e 12 deste mês, a ex-nadadora Nadia Cruz considera que se o país quiser pensar em medalhas nas próximas edições deve começar a projectar tudo agora,
sob pena de continuar sem ambições pelo pódio.
No balanço da presente campanha na capital britânica, a responsável associativa de ex-atletas olímpicas disse para a Angop que se deve mudar a estratégia de pensamento dos planos das diferentes modalidades desportivas em Jogos desta magnitude e recomendou para que haja mais investimento antecipado em tudo.
“É preciso não pensar só na infra-estrutura. Um atleta que vai para ganhar medalhas tem um corpo a sua volta, desde treinador, dirigente, medico, fisioterapeuta, mentor, massagista”, destacou Nadia Cruz, que esteve em Londres na condição de membro do Comité Olímpico Angolano (COA).
De acordo com a tesoureira do COA, tem de se desenvolver desporto profissional e estabelecer metas, evitando com isso a que se chegue aos torneios internacionais sem ambições de arrebatar medalhas, pois pela experiência nesses eventos já se poderia
imaginar outros patamares.
“Temos de ter metas, colocar atletas a competir, fazer planos para daqui a quatro anos ou reduzi-los para dois ou um ano. Não adianta olharmos para a prova a faltar seis meses, temos de definir onde queremos chegar e o que desejamos”, realçou a também presidente da Comissão de Atletas Olímpicos de Angola.
Segundo a dirigente olímpica, deve haver alternativas, mas isso implica investimentos e responsabilidades: “Representamos África no andebol e basquetebol. Vimos as dificuldades para arranjar jogos de preparação, porque tudo foi feito em cima do tempo”.
Defendeu que se houver uma planificação e disponibilização de verbas de forma atempada, seria possível gerir-se melhor e colocar as coisas em bom caminho, pelo que alertou mudança de atitude da sociedade, para evitar cobranças daquilo que foi
mal preparado por falta de condições.
“Nas condições actuais, só o facto de estar nos Jogos constitui um ganho. Mas pensar em medalhas para breve, se calhar, estaríamos a pedir de mais, pois em termos comparativos com outras nações presentes em Londres estaríamos a ser injustos”,
rematou, antiga campeã nacional de natação e quatro vezes em Jogos Olímpicos (88, 92, 96 e 2000).