Luanda - Com histórico desfavorável para as campeãs africanas na disputa directa com as russas, medalha de prata em Beijing2008, as selecções de Angola e da Rússia defrontam-se sábado, pela primeira vez, em Londres (Reino Unido), em torneio de Jogos Olímpicos desde a estreia em Atlanta96.
As duas equipas conhecem-se e são adversárias em competições mundiais desde 1990, na Coreia do Sul, onde as angolanas perderam para a então União Soviética, antes do seu desmembramento, por 15-28, num período em que o plantel africano marcava os primeiros passos em provas desta envergadura.
Nunca cruzaram o mesmo caminho em Jogos Olímpicos, apesar da presença regular neste evento de ambos os conjuntos. O resultado mais recente entre os dois combinados aconteceu no último Mundial2011, disputado no Brasil em Dezembro.
Mesmo estando em vantagem ao intervalo (18-17), Angola "desistiu" da discussão do sexto lugar para a Rússia (31-41), com o aproximar do Africano em Janeiro, qualificativo aos Jogos, razão pela qual o conjunto sentiu pouco o peso da derrota.
Em seis desafios, as campeãs africanas perderam todos. O resultado mais apertado até agora foi conseguido no Mundial2009, na China, quando forçaram as europeias (12-11 ao intervalo) ao desespero, mas fruto da experiência adversária cairam no limite por 21-23. Seguem-se 17-26 (6-17), 22-26 (11-13) e 27-40 (11-21).
A Rússia (principal herdeira das jogadoras da antiga União Soviética) conquistou por duas vezes os Jogos Olímpicos (1976, 1980), além de duas medalhas de bronze (1988, 1992) e uma de prata (2008), pelo que a grande aposta é a luta pelo ouro em Londres 2012.
Por sua vez, a equipa sénior feminina de andebol de Angola busca energias do último Mundial2011 para corrigir os erros de Beijing 2008, onde consentiram a pior classificação de sempre em Jogos Olímpicos (última sem vitória e apenas um empate).
Para isso, o seleccionador Vivaldo Eduardo "tirou" as jogadoras da cerimónia de abertura do evento para evitar desgaste antes do tão esperado desafio (9h30 de sábado). O técnico tem cinco andebolistas que "estremeceram" a poderosa Rússia, no Brasil, e a presença da experiente meia-distância Marcelina Kiala, ausente do último embate entre si por lesão.
Luisa Kiala, com 46 minutos e 11 segundos, foi a mais utilizada na derrota (31-41) em Dezembro de 2011, seguida de Cristina Branco (44:51), Azenaide Carlos (39:04), Joelma Viegas (38:36) e Nair Almeida (35:45). Marcelina foi poupada na altura. Bombo Calandula (43:50) é uma das ausências de vulto, enquanto a Rússia teve em Emilia Turey (41:21) e Natalia Shipilova (35:04) como as mais utilizadas.
Em 70 ataques, Angola só conseguiu eficiência em 44%, ao passo que a Rússia em 69 obteve 59%, numa partida em que Shipilova (seis golos), Ludmila Postnova (5), Irina Blinznova (5) e Turey (5) se destacaram na artilharia, e Calandula (5), Luisa, Joelma, Nair e Azenaide (todas com quatro) evidenciaram-se para as africanas.