Maputo – Apesar do esforço dos jornalistas nas coberturas de grandes eventos internacionais, o maior problema da classe reside na falta de meios financeiros para acompanhar a dinâmica de países com mais tradição em competições mundiais e olímpicas, disse hoje à Angop o director da AFP Brasília, Aldo Gamboa.
Para o responsável da Agência France Presse (AFP), em declarações após o curso realizado em Maputo (15 a 19 de Março), o principal obstáculo do jornalista africano agora é a falta de meios financeiros para fazer coberturas no mundo, apontando tratar-se de uma carência material/logística capaz de limitar a visão do profissional.
“O que nos propomos é, se os jornalistas africanos por enquanto não têm condições de fazer grandes coberturas, viajar, cobrir selecções, que isso não limite a sua visão global do desporto. Os colegas com os quais trabalhei estão bem actualizados com as tendências mundiais. Então só se nota a falha logística de alguns e fora isso não vejo grandes problemas”, reconheceu.
Segundo Aldo Gamboa, as coberturas são boas. Disse haver carência de meios logísticos, mas referiu que podem ser superadas através de investimentos e maior aposta na formação, destacando o acompanhamento da imprensa no CAN2010, que garantiu em tempo útil e real o que decorria ao longo da prova.
“Se os africanos tivessem mais oportunidades e condições de acompanhar campeonatos do mundo isso daria outro cenário, maior até. Mas devo realçar aqui o profissionalismo dos jornalistas desportivos. Há carência em toda parte, como na América Central ou no Sul. O espírito de vencer os problemas torna-os mais fortes”, sublinhou.
Em relação às acções da Fondation AFP e da FIFA, explicou que os actuais cursos foram montados para serem feitos antes do Mundial2010. Esclareceu que esse foi o objectivo central, o que não impede que sejam mantidos depois da competição, “porque o futebol não acabará. Novos cursos de formação haverá, é preciso apenas reorganizar”.