Tripoli (Dos enviados especiais) – Ao concretizar 21 pontos, quatro ressaltos e três assistências no triunfo diante da Côte d’Ivoire, por 82-72, o extremo-base Carlos Morais, consagrado melhor "triplista" do Afrobasket2009, comandou a selecção nacional à conquista do seu 10º campeonato africano das nações em basquetebol, sexto de forma consecutiva.
Mais utilizado pelo técnico Luís Magalhães (38 minutos), o atleta do Petro de Luanda foi o principal desequilibrador para os invoirenses, que apenas foram "vergados" nos quatro minutos finais da partida, altura em que a consagração se afigurava ainda ameaçada.
Disposto a impedir a conquista do tão almejado troféu por parte dos angolanos, o adversário impôs-se durante os dois primeiros períodos, os quais terminou em vantagem de (19-15) e 35-34, ao intervalo.
O terceiro período, tal como os anteriores, esteve equilibrado com as equipas a praticarem um basquetebol muito rápido, onde a eficácia no jogo exterior fazia a diferença, com Morais a ser, uma vez mais (após os dois últimos encontros), o melhor pelos angolanos com três em cinco tentados.
Angola chegou a vantagem máxima de nove pontos, mas não conseguiu segurar, pois os ivoirenses, atentos à estratégia de Luís Magalhães, que apenas utilizou o cinco base nesta etapa, "giravam" o seu banco de suplentes, procurando superiorizar-se no que concerne ao estado físico (menos cansaço) e ao número de faltas dos jogadores influentes na manobra da selecção.
As contas no banco da selecção, onde o técnico permanecia todo o tempo em pé a orientar, por incrível que parecia, estavam a ficar complicadas, sendo assim que no final deste quarto Carlos Morais começou, verdadeiramente, por assumir a liderança, ao converter um triplo galvanizador para o conjunto nacional e a equipa saiu, pela primeira vez ao cabo de dez minutos, em vantagem de 58-54.
"Sentindo" a intransigência da Côte d’Ivoire, Olímpio Cipriano, cujos os primeiros dois pontos marcou apenas a meio do terceiro período, juntou-se a Morais e Kikas (16 pontos), aumentando as soluções para o alcance do principal objectivo que norteou o grupo.
Mais concentrada face à vantagem que trazia, Angola conseguiu no quarto e último período "neutralizar" as investidas da Côte d’Ivoire e com Carlos Morais a corresponder uma assistência do base Armando Costa com mais um lançamento da linha dos 6,25 cm, a equipa alcançou a diferença máxima no jogo (74-64), não permitindo que voltasse a ser igualada e muito menos ultrapassada.
Foi gerindo a situação, evitando apenas que os ivoirenses acertassem os lances a longa distância e no final permaneceram, coincidentemente, os dez pontos de diferença que deram o décimo troféu mais importante a nível do continente.
O ivoirense P. Amagou foi o segundo cestinha do jogo com 18 pontos, seguido de Kikas, eleito jogador mais valioso do campeonato (MVP), e Olímpio Cipriano, ambos com 16 pontos.
Ocorrido no pavilhão África Union, em Tripoli, capital da Líbia, o desafio foi assistido, entre outras individualidades, pelo ministro angolano dos Desportos, Gonçalves Muandumba, e o presidente da FIBA/África, Allan Ekra.
Presenciaram igualmente a consagração cerca de 600 espectadores, num encontro ajuizado pelo trio Koromilas (Grécia), Garcia Ortiz (Espanha) e Godé Vitalis, do Quénia.
Esta é a segunda vez que os angolanos e ivoirenses disputaram uma final de Afrobasket e parece ter um significado de ajuste de conta, sendo que na primeira em 1985, Abidjan, os donos da "casa", venceram.