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12-02-2012 13:45

Previsão do Tempo
Inamet necessita de nove radares meteorológicos para cobertura do país

Angop
Director do INAMET Benjamin Domingos
Director do INAMET Benjamin Domingos
Luanda - O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (Inamet) necessita de pelo menos nove radares meteorológicos para que, aliados aos modelos regionais, possa elaborar com clareza e maior exactidão a previsão do tempo em pequenas circunscrições, revelou hoje, domingo, em Luanda, fonte da instituição.
 
Segundo o director-geral do Inamet, Benjamim Domingos, em entrevista concedida à Angop, através dos referidos mecanismos será possível fazer-se a micro-meteorologia, prevendo-se por exemplo a quantidade de chuva e em que horário específico poderá chover numa zona como o Cazenga.
 
" Pode-se avisar as pessoas e a protecção civil com duas ou três horas de antecedência que em determinada área vai chover com bastante intensidade ou a ocorrência de outros fenómenos naturais, evitando-se possíveis catástrofes", disse.
 
Explicou que quando o Inamet diz que há previsão de chuva fraca para Luanda, mas chove apenas no Cazenga, em Viana ou na Quissama, não quer dizer que a previsão está incorrecta. Essa previsão não é mais precisa porque os equipamentos que utiliza não permitem fazer a micro-meteorologia, disse.
 
" Já com os radares seremos mais exactos, dizendo que há previsão de chuva apenas para Viana por exemplo", elucidou.
 
Esclareceu que actualmente o país não possui nenhum radar meteorológico e que o Inamet não possui capacidade financeira para adquiri-los, uma vez que podem custar acima de dois milhões de dólares cada, adicionando-se os custos com a formação de pessoal capaz de operá-los.
 
"Cada radar cobre em média 300 a 400 quilómetros, quer em terra como no mar, e caso tivéssemos radares a funcionar também já estaríamos a disponibilizar informações para o sector petrolífero", frisou.
 
Sublinhou que é necessário formar quer engenheiros para montá-los e garantirem a sua manutenção, como para fazerem a leitura dos dados.
 
Adiantou que universidades brasileiras e portuguesas, com as quais o Inamet tem convénios assinados, como as de Évora e Aveiro (Portugal) e de Alagoas (Brasil) têm capacidade para formar esses especialistas.
 
Os radares também são muito importantes para o apoio ao sector produtivo, com destaque para a agricultura, pontualizou Benjamim Domingos.
 
"Poderíamos recorrer aos modelos globais, como faz o Brasil através do Centro de Previsão e Estudos Climáticos, mas esses modelos não são muito precisos'', considerou.
 
Na sua óptica, esses modelos precisam de ser alimentados por dados locais e quando isso não acontece os dados nem sempre são os mais fiáveis."Eles às vezes usam dados já antigos e as margens de erro são maiores", afirmou.
 
Actualmente, prosseguiu, garantimos a actividade mínima do instituto com o apoio à aeronáutica e outros sectores.
 
Outra questão tem a ver com os compromissos que Angola assumiu a nível internacional, enfatizou.
 
"Angola tem um vasto território e por isso temos responsabilidades, temos de fornecer dados para elaboração de modelos globais. Caso isso não aconteça as previsões para o país nunca serão fiáveis. Temos que enviar dados com regularidade para essas instâncias internacionais para eles poderem fazer previsões mais acertadas para Angola e a região", reiterou.
 
Entretanto, deu a conhecer que esses e outros aspectos estão acautelados no Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector da Meteorologia no país para o período 2011-2018, avaliado em pouco mais de 116 milhões de dólares norte americanos.
 
Esse plano abarca o reforço da capacidade institucional, dos aspectos que têm a ver com a capacidade operacional da organização, a boa governação, investigação e a formação de quadros.
 
Do ponto de vista da capacidade operacional pretende-se melhorar a rede de observações, com a instalação de mais 600 estações até 2018, melhorar a rede para o estado do mar, a altitude - com o balão meteorológico e a instalação da rede de radares.
 
Na óptica dos quadros do Inamet, o plano estratégico, que carece da aprovação do executivo angolano, é a chave para se revolucionar todo o sistema de trabalho e de desenvolvimento do sector da meteorologia e geofísica em Angola. 





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