Luanda – O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica controla actualmente apenas quatro meteorologistas, dois geofísicos e técnicos de nível médio, especialistas insuficientes para responder às exigências actuais do país, considerou hoje, domingo, em Luanda, fonte da instituição.
Em declarações à Angop, o director-geral do Inamet, Benjamim Domingos, frisou que tanto em meteorologia tanto em geofísica existe um sistema com vários segmentos, e mesmo que dois estejam a funcionar em pleno a ausência do terceiro ou do quarto faz com que ele não funcione de forma adequada.
“ Os dados que nós obtivermos só têm valor se forem transformados em informação”, sublinhou.
Explicou que a previsão do tempo é feita em Luanda e que nas províncias existem apenas observatórios que fazem a recolha dos dados. Posteriormente são enviados para leitura e análise na capital do país, elaborando-se então a previsão do tempo.
No entanto, a situação é preocupante, uma vez que nem sempre todos os meteorologistas estão operacionais.
Neste momento o Inamet tem dois bolseiros na Universidade de Alagoas (Brasil) e espera enviar ainda esse ano mais dois.
Contudo, salientou, “ são quadros com os quais só poderemos contar a partir de 2016, pois a licenciatura tem duração de cinco anos, e mesmo assim ainda serão insuficientes”, referiu.
Na mesma senda, explicou que existem estações sísmicas no Porto Quipiri, província do Bengo, e no Lubango, Huíla, que fornecem dados. Mas o grande problema é a análise desses dados, o tratamento dos mesmos para serem divulgados carece de quadros.
“Mesmo do ponto de vista da manutenção de uma estação sísmica é necessário que hajam técnicos capazes de mantê-la a funcionar”, enfatizou.
Esclareceu que o instituto aposta actualmente em tornar funcional uma rede mínima de informações meteorológicas, sendo eleitas algumas regiões cujas estações têm necessariamente que funcionar face a demanda, como por exemplo no ramo aeronáutico e outros, nomeadamente as de Luanda, Lubango e Benguela.
Ainda para reforçar o funcionamento da referida rede mínima, seguem, em breve, quatro jovens para a Universidade de Évora, em Portugal, onde vão frequentar alguns cursos de especialização durante oito meses.
“Esses vão garantir a questão das medidas regionais e o estado do mar”, revelou o director-geral do Inamet.
Outra aposta do Inamet no domínio da formação será a abertura este ano da Escola em Geociências Ambientais e Gestão de Riscos Naturais que vai formar, sobretudo, quadros especialistas de nível médio.
Domingos Benjamim garantiu que ainda no decorrer do ano a rede vai estar a funcionar em pleno com técnicos nacionais, mas futuramente também vai contar com a colaboração de técnicos expatriados, oriundos maioritariamente de Portugal e do Brasil.
Considerou que o problema da insuficiência de quadros e outros com que o Inamet se debate só serão integralmente ultrapassados caso seja aprovado pelo Executivo angolano o Plano Estratégico de Desenvolvimento do sector da Meteorologia e Geofísica para o período 2012/2018 e avaliado em pouco mais de 116 milhões de dólares.
De acordo com a fonte, esse plano estabelece o surgimento de três Centros Regionais de Previsão (Norte, Centro e Sul), que vão requerer a dotação de Técnicos Superiores e Médios.
“Só para as áreas que vão estar associadas as respostas que o Inamet tem de ter para as calamidades naturais, onde se inserem a observação / tratamento de dados, a previsão e outras áreas afins, cobrindo aspectos operacionais e de investigação aplicada serão necessários, fruto de um estudo elaborado pela instituição, 117 licenciados, 102 quadros de nível médio, 42 mestres e 27 doutores”,
Esse plano abarca ainda o reforço da capacidade institucional, dos aspectos que têm a ver com a capacidade operacional da organização, a boa governação e a investigação.
Do ponto de vista da capacidade operacional pretende-se melhorar a rede de observações, com a instalação de mais 600 estações até 2018, melhorar a rede para o estado do mar, a altitude - com o balão meteorológico e a instalação da rede de radares.