Luanda - Um Memorando de Entendimento para a criação da área de conservação transfronteiriça da região do Liuwa/Mussuma, este último na província do Moxico, será assinado, no primeiro semestre do ano em curso, pelos ministros do Ambiente das Repúblicas de Angola e Zâmbia.
Em entrevista hoje, segunda-feira, à Angop, a chefe de Departamento das Áreas de Conservação Transfronteiriça do Ministério do Ambiente, Albertina Nzuzi, referiu que o documento já foi elaborado pelos técnicos de ambos os países e que a qualquer altura poderá ser rubricado pelos titulares das pastas.
Albertina Nzuzi frisou que esta iniciativa vai permitir assegurar a protecção das populações migratórias de animais selvagens em toda a extensão das suas deslocações anuais.
O percurso destas deslocações abrange o Parque Nacional da Planície de Liuwa na República da Zâmbia e os sectores do Norte e Ocidente da Área de Gestão de Caça (AGC) do Alto Zambeze ocidental.
Em Angola, de acordo com a fonte, verifica-se este movimento entre os rios Mussuma e Lungwebungu.
“Para além da migração de animais selvagens ser uma das características ecológicas mais importantes da zona, a Área de Conservação Transfronteiriça está situada no centro conhecido por “zoo-geograficos e botânicos”, com a planície Barotselandia, daí o nosso interesse”, explicou Albertina Nzuzi.
Este centro de endemismo de repteis, anfíbios e plantas, bem como com duas importantes áreas para as aves, designadas por “ Parque Nacional da Planície de Liuwa e da Cameia”, irá servir para proteger categorias relevantes representando a biodiversidade de Angola e Zâmbia.
O que se quer também com este projecto transfronteiriço, de acordo com Albetina Nzuzi, é fazer com que a vida selvagem e natural não beneficie apenas de segurança, mas que se oriente o estimulo da conservação e harmonização da gestão das zonas protegidas, tanto em Angola como na Zâmbia.
Quanto a população residente dentro e ao redor da área dependente dos recursos naturais, estes serão integrados nos projectos de conservação e partilha dos benefícios que possam advir da utilização sustentável dos recursos da área a criar.
Sem avançar dados com relação as propostas de financiamento deste projecto, disse que esta iniciativa conjunta vai envolver também o sector privado e outros parceiros.
Estudos preliminares e de viabilidade económica e ecológica já foram efectuados na região pelos técnicos dos dois países faltando apenas o estudo profundo das aldeias por lá criadas, bem como do movimento dos animais de acordo com as estações do ano.
Liuwa Plain-Mussuma é considerada como uma das mais importantes áreas de conservação, pelo facto de este apresentar maior e significativa de espécies migratórias de importância internacional como é o caso do blue wildbeest (Gnu) e zebras, além de um enorme potencial de diversidade biológica excepcional desta área representada por um número considerável de populações de aves.