Luanda - O ambientalista José Silva apelou hoje, quinta-feira, em Luanda, uma maior divulgação de informação sobre a importância das zonas húmidas, por forma a melhorar o contacto da população com as mesmas e a sua preservação.
José Silva que falava à Angop, por ocasião do Dia Mundial das Zonas Húmidas, assinalado hoje (2 de Fevereiro), acrescentou existir pouca divulgação das áreas no país, e as pessoas por desconhecerem muitas das vezes põem em risco as zonas, com pesca em áreas de reprodução de espécies e a transformação dos mangais em lenha, exemplificou.
Para si, por a data estar muito próximo ao Dia Nacional do Ambiente (31 de Janeiro), aconselha a quem de direito a estender as comemorações da semana do ambiente até ao dia das Zonas Húmidas, por considerar necessário a realização de actividades e projectos durante o ano, para observarem resultados positivos.
O também educador ambiental aconselhou uma maior fiscalização e interesse, pela grande importância das áreas e um reforço na capacidade de intervenção a nível local e da sociedade.
“É preciso que os estudantes realizem trabalhos de investigação sobre as zonas húmidas e divulguem para apresentarem a sociedade, ajudando assim na estratégia para que a população possa participar na sua preservação”, acrescentando que a pobreza da população centralizada em alguns locais, faz com que procurem meios de subsistências nessas áreas.
Segundo ele, as Zonas Húmidas são de grande importância para os seres humanos, atendendo o facto de que vivem no eco-sistema, oferecem vários benefícios, como ajudar a regular o ciclo da água, controlam inundações, bem como servem de zonas para alimento e reprodução de espécies (peixe).
Pode igualmente ajudar na redução de impacto da alteração climática com a vegetação dos mangais que absorvem o dióxido de carbono que é um dos principais factores que afecta a alteração climática, bem como a produção agrícola, frisou.
Cada zona húmida tem a sua especialidade e existem várias como exemplo algumas ligadas ao mar, sobretudo as salgadas, mangais, lagoas, rios e terras inundadas.
Em Angola, grande parte das zonas húmidas encontram-se localizadas na região sudeste do país, com especial destaque para as províncias do Bié, Kuando Kubango e Moxico. Devido a sua importância o 1º Fórum Nacional do Ambiente recomendou ao governo angolano a viabilização da adesão de Angola à Convenção de Ramsar.
A Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional, também conhecida como Convenção de Ramsar, por ter sido assinada na cidade Iraniana de Ramsar a 2 de Fevereiro de 1971, entrou em vigor em 1975.
É considerado o primeiro tratado intergovernamental a fornecer uma base estrutural para a cooperação internacional e acção nacional no sentido da conservação e uso sustentável dos recursos naturais, em concreto, das zonas húmidas e seus recursos.
Já aderiram a Convenção de Ramsar 136 países, que apontam a existência de 1.558 zonas húmidas de importância internacional.