Luanda - Responsáveis do Ambiente e dos Recursos Naturais de Angola, Gabão, do Congo Democrático e do Congo Brazzaville reúnem-se, de 19 a 20 deste mês, em Luanda, para reverem a situação da criação da área transfronteiriça da floresta do Maiombe.
O encontro, a acontecer depois da assinatura do memorando tripartido em 2009 na província de Cabinda, vai decorrer numa das unidades hoteleiras desta cidade, de acordo com um documento a que a Angop teve hoje acesso.
Este evento contará ainda com a participação de técnicos dos respectivos países, representantes do Programa das Nações Unidas para o Ambiente e outros parceiros.
Será revista a estratégia de implementação, o plano de acção e outros projectos que vão permitir a criação desta área transfronteiriça de conservação da floresta de Maiombe que cobre a norte (Cabinda), Angola e parte dos dois congos.
De acordo ainda com o documento, a área de implementação envolve as províncias de Cabinda (Angola), Baixo Congo, a Reserva de Luki (RDC), Kouilou e a Reserva de Dimonika (Congo-Brazzaville).
No caso de Angola, a área proposta estende-se desde o município de Buco-Zau até Belize, incluindo a antiga Reserva florestal de Cacongo, onde constata-se a sua biodiversidade preservada.
A florestal Guineo-congolesa, representada maioritariamente pela floresta de Maiombe, é um dos grandes biomas de Angola.
Esta estende-se desde a República Democrática do Congo até ao Gabão, passando por Angola e a República do Congo (Brazzaville).
Com uma extensão de mais de dois mil quilómetros em Angola, a floresta de Maiombe é a mais rica floresta angolana em termos de diversidade especifica.
De acordo com o documento do Ministério do Ambiente, é a única floresta angolana que alberga espécies de dois grande primatas, o chimpaze “Pan troglodytes” e o gorila da espécie “Gorrilla Gorilla”.
A floresta de Maiombe e a sua biodiversidade estão hoje em dia em ameaças devido às pressões humanas ligadas principalmente com a exploração selectiva e não sustentável de madeiras, agricultura itinerante e a caça furtiva.
Considerando essas ameaças, a Organização Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN) no seu trabalho sobre avaliação do estado actual meio-ambiente em Angola (1992), recomendou a criação de uma área de conservação.
Já a SADC, no seu relatório sobre possíveis áreas transfronteiriças de conservação, recomendou igualmente a criação da “Área Transfronteiriça de Conservação de Maiombe”.