Huambo - O ambientalista Carlos António defendeu hoje, no Huambo, maior fiscalização dos perímetros florestais e da flora natural, para banir definitivamente os constantes actos de abate indiscriminado de árvores.
Em declarações à Angop, o especialista manifestou-se preocupado com o silêncio das autoridades locais perante o desaparecimento, por acção humana, de muitas cinturas verdes da cidade e florestas naturais.
Segundo ele, tais actos de devastação da floresta estão a provocar, ainda que de forma parcial, desequilíbrios ambientais e ecológicos nocivos à saúde das pessoas.
Apontou, a título de exemplo, a irregularidade da chuva e o aumento da temperatura como sendo principais consequências do desmatamento.
"O que vemos hoje, embora não pode ser considerado uma catástrofe, é muito alarmante. As pessoas continuam a derrubar árvores sem qualquer receio de serem punidas. Muitas cinturas verdes estão a desaparecer e, como consequência imediata, nota-se o aumento da emissão de dióxido de carbono e outros gases poluentes à atmosfera", lamentou.
Carlos António disse também que muitos desequilíbrios ambientais que ocorrem nesta região podem ter consequências ambientais em outras zonas limítrofes, embora esta situação careça uma comprovação científica.
Em relação as causas do abate indiscriminado de árvores, o ambientalista justificou que tal situação deve-se, em grande parte, pela falta de educação ambiental e também por razões económicas, uma vez que os populares abatem-nas para produção de carvão e lenha para consumo e fins mercantis.
"É urgente que o instituto local de desenvolvimento florestal e o departamento provincial do meio ambiente reforcem as suas acções de fiscalização e sensibilização das comunidades, sobre tudo as rurais", alertou.
Para ele, os meios de comunicação social e as escolas devem envolver-se de forma mais activa na educação da população para a protecção e conservação do meio ambiente.
Outra situação que também mereceu o repúdio do ambientalista Carlos António tem a ver com o facto de, nos últimos dias, muitos cidadãos estarem a derrubar árvores a fim de construírem suas moradias.
"A questão do derrube de árvores tende a transformar-se num costume da população local. Temos que arranjar formas concretas de desencorajar esta acção, porque algumas árvores, por serem naturais, nunca serão replantadas e desta forma acabam por extinguir-se", enfatizou.