Maputo - O Ministério Público de Moçambique acusou de sabotagem os quatro indivíduos estrangeiros, entre os quais um português,
presos na província moçambicana de Tete, por terem deitado um produto na barragem de Cahora Bassan (HCB).
O Ministério Público enviou quinta-feira o processo ao Tribunal, disse hoje à Lusa fonte judicial, acrescentando que, além de sabotagem, o crime mais grave, os quatro são acusados de contrabando, de alteração de bens de consumo e de uma infracção administrativa.
"São acusados de contrabando por terem entrado em Moçambique sem declararem o transporte de orgonite, de alteração de bens de consumo por terem metido na água o referido produto, de infração administrativa por exercerem uma actividade sem pedido de autorização e de sabotagem", disse a fonte.
A fonte disse que o processo remetido ao Tribunal de Tete não refere os fundamentos para a acusação de sabotagem, acrescentando que a mesma no entanto se baseia em três relatórios feitos em Moçambique ao produto orgonite (feito de resina e aparas de metal, segundo os acusados).
Os quatro, um português, um alemão, um tsuana e um sul-africano, detidos desde 21 de Abril, negam qualquer intenção de provocar danos à HCB e afirmam que o que colocaram na barragem é uma substância a que chamam orgonite, destinada a libertar energias positivas benéficas ao ambiente da albufeira.
Segundo a fonte contactada pela Lusa, no processo constam três análises, uma delas feita pela própria HCB, outra pelo Laboratório de Engenharia Química de Moçambique e a terceira pelo Laboratório de Alimentos e Águas de Moçambique.
"O relatório do Laboratório de Alimentos e Águas refere que a água da barragem pode ser consumida e nele nada consta contra os acusados, mas o Laboratório de Engenharia Química fala da existência de acidez que pode influenciar no desgaste de materiais metálicos a longo prazo, enquanto o relatório da HCB conclui que os objectos lançados à barragem são corrosivos e podem perigar a estrutura metálica e o próprio betão", disse a fonte à Lusa.
A fonte garantiu que do processo não consta qualquer relatório à orgonite feito na África do Sul, nem sequer qualquer pedido nesse sentido, embora a 12 de Maio o porta-voz da Polícia de Moçambique, Pedro Cossa, tenha informado que foram pedidas análises naquele país.
"Um oficial da polícia moçambicana seguiu na segunda-feira para Pretória (África do Sul), para pressionar o laboratório a acelerar a análise ao produto atirado à barragem de Cahora Bassa", afirmou o responsável numa conferência de imprensa.
Questionada pela Lusa, a fonte disse também que no processo não consta qualquer ofício ou outra comunicação enviada à HCB, a "vítima" no caso, cuja estrutura, segundo a acusação, estava a ser alvo de ataque.