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29-07-2009 15:15

Guiné-Bissau/presidenciais
Kumba Ialá aceita resultados e felicita Sanhá

Bissau - O candidato derrotado na segunda volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau, Kumba Ialá, reconheceu hoje (quarta-feira) a vitória de Malam Bacai Sanhá a quem felicita "pelo seu trabalho".
 
 
Em conferência de imprensa na sede nacional do Partido da Renovação Social (PRS), de que é líder, Kumba Ialá, visivelmente sereno, afirmou que reconhece os resultados proclamados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), que dão a vitória a Malam Bacai Sanhá.  
      
 
"Depois de termos ouvido o anúncio dos resultados provisórios das eleições que deram a vitória ao nosso adversário, nós, como democratas que somos, temos que reconhecer a vitória do nosso adversário e felicitá-lo pelo seu trabalho" disse Ialá.
 
 
"Façamos votos para que a Guiné-Bissau avance, embora tenhamos a amarga experiência do passado da má governação deste nosso adversário do PAIGC ao longo dos 35 anos que dirigiu o país", sublinhou Kumba Ialá. 

 
O presidente do PRS lembrou os três anos que passou na Presidência da República (entre 2000 a 2003), frisando que na altura deu sinais de mudança do rumo do país.
 
 
"No passado recente, tivemos uma nova geração na direcção política do país, que deu alguns sinais de mudança de trabalho e de desenvolvimento, não obstante numa conjuntura muito complexa, tal como sabemos, houve aquele incidente do 07 de Junho (guerra civil) que não foi da nossa autoria", disse Kumba Ialá. 

 
Fazendo uma análise da sua derrota eleitoral, Ialá considerou que a democracia é uma realidade nova na Guiné-Bissau. 

 
"Somos todos aprendizes da democracia. Digo isso em relação à maioria da população da Guiné-Bissau. Na democracia, não é aceitável a compra da consciência das populações, aproveitando o seu baixo nível de preparação e sobretudo com a carência que se vive no país, que é da responsabilidade de quem esteja à frente do país", frisou o líder dos "renovadores" guineenses.

 
"Quero com isso também pedir aos nossos adversários que venceram as eleições que façam as suas manifestações à vontade, mas que evitem as provocações, à semelhança daquilo que temos conhecimento de que se passa na região de Gabu", afirmou Kumba Ialá sem especificar a que se referia.

 
 
"Não queremos transformar a Guiné-Bissau numa anarquia e transformar a democracia numa incompreensão insensata, tem que ser uma democracia de responsabilidade porque exige a cultura da paz e do diálogo, a cultura de compreensão de alternâncias sucessivas na direcção de um Estado rumo ao desenvolvimento", defendeu.
 
 
Questionado sobre se pensa colaborar com Malam Bacai Sanhá, Kumba Ialá remeteu para mais tarde a resposta a esta questão, mas lembrou que é líder de um partido da oposição. 

 
"Isso é uma questão a decidir no futuro, o que interessa é o país e não a questão da presidência e não presidência. O país é o mais importante. Tenho um partido político que estou a dirigir, na oposição", disse. 

 
Interrogado sobre se tem ou não conhecimento da existência de fraude no escrutínio do passado domingo, Kumba Ialá afirmou que essa questão devia ser colocada à directoria da sua campanha e frisou que numa disputa eleitoral uns perdem e outros ganham. 

 
"Em qualquer campanha eleitoral, há sempre vencedor e vencido, não podemos discutir a vontade da população e se houver a manipulação dos resultados isso acontece em toda a parte, mas desde que não seja do conhecimento do vencido, este não pode dizer algo de contrário", destacou Kumba Ialá.






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