Bujumbura, - O Burundi expulsou em um mês entre 800 e 1.400 estrangeiros, essencialmente congoleses e rwandeses, acusados pela polícia de estar em situação irregular e responsáveis "da maioria dos crimes" cometidos no país, soube-se hoje (quinta-feira) junto da polícia e da ONU.
Desde o início da operação, em meados de Janeiro, "a polícia expulsou cerca de 800 estrangeiros irregulares, 600 dos quais da República democrática do Congo, uma centena de rwandeses e alguns tanzanianos, ugandeses e senegaleses", anunciou hoje o porta-voz da polícia nacional, Pedro Chanel Ntarabaganyi.
Por seu turno, um responsável do Escritório integrado das Nações Unidas no Burundi (Binub) declarou sob anonimato que "o Burundi havia já procedido à expulsão de 1.406 pessoas até 16 de Fevereiro".
Segundo este responsável, "621 pessoas, essencialmente congoleses, foram expulsas de Bujumbura, e o resto dos expulsos, em grande parte do Rwanda, foram caçado no interior do país, sobretudo na província de Cibitoke (noroeste)".
"Trata-se de um trabalho de rotina que visa caçar os irregulares que são responsáveis da maioria dos crimes que são cometidos neste país", assegurou por seu lado o porta-voz da polícia.
O presidente da Associação para a protecção das pessoas detidas e dos direitos humanos (Aprodeh), Pierre Claver Mbonimpa, condenou "esta caça aos estrangeiros porque eles são tratados de maneira degradante".
Eles "são detidos durante as razias da polícia, reunidos num estádio, antes de serem embarcados num camião em direcção à fronteira mais próxima", denunciou.
Dezenas de pessoas expulsas, que possuiam bilhete de identidade burundês, acusaram a polícia nas rádios locais privadas de ter rasgado estes documentos sobre a ordem do poder.