Lisboa - Albert Einstein estava tão certo da sua teoria da relatividade que "não ficou maravilhado" com a comprovação desta pelas experiências de Arthur Eddington na ilha do Príncipe, em 1919, afirmou à Lusa o cientista Nunes dos Santos.
O professor catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, autor de "Eddington e Einstein" (Editora Gradiva), conta que, quando analisou as chapas fotográficas trazidas por Eddington, Einstein ficou cativado não com o resultado mas com a "perfeição" da fotografia.
"Ele não ficou maravilhado (...) havia um sentimento muito interiorizado de Einstein de que a sua proposta teria bastante sucesso e se ajustava à realidade", disse à Lusa Nunes dos Santos, à margem de uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa, evocativa dos 90 anos da experiência do astrofísico britânico.
A experiência de Sir Arthur Stanley Eddington teve lugar 29 de Maio de 1919, durante um eclipse total na ilha do Príncipe, então sob administração colonial portuguesa.
Eddington era um reconhecido adepto das teorias de Einstein, mas muitos vieram posteriormente pôr em causa a veracidade da interpretação dos dados, caso do conhecido astrofísico Stephen Hawking.
"Criou-se sempre a ideia de que Eddington já tinha o preconceito de que iria obter esse valor, (...) de que poderia fazer algumas aldrabices porque era grande adepto da teoria de Einstein. Mas os resultados ajustavam-se e dão um erro que não é o que Hawking indica", afirma Nunes dos Santos.
O próprio Eddington terá regressado do Príncipe com dúvidas quanto aos resultados obtidos, porque as condições de observação nem eram as melhores nesse dia devido à nebulosidade.
Apesar de tudo, afirma Nunes dos Santos, a experiência foi "um marco muito elevado" uma ruptura epistemológica em relação às teorias existentes da física clássica.
No próximo dia 29 de Maio será descerrada na roça Sundi, ilha do Príncipe, uma placa evocativa levada pela Royal Astronomical Society britânica, com efígies de Eddington e Einstein.