Harare - O Primeiro-ministro zimbabweano, Morgan Tsvangirai, disse hoje, sexta-feira em Harare, que a manutenção de opositores presos compromete o governo da união, exigindo, por isso, a sua libertação imediata.
O Conselho Executivo do Movimento para a Mudança Democrática (MDC - sigla em inglês), que forma, desde meiados de Fevereiro
deste ano, uma coligação com o partido do presidente Robert Mugabe, esteve reunido em Harare para fazer um balanço dos seus 15 primeiros dias de governo.
"O problema dos prisioneiros políticos foi um dos assuntos abordados no encontro", disse à AFP Nelson Chamisa, porta-voz do partido e actual ministro das Technologias de Informação.
"Esses prisioneiros devem ser libertados. A sua manutenção na prisão ameaça o próprio espírito do governo da união", acrescentou.
Mais de 30 apoiantes do MDC ou militantes dos Direitos Humanos, entre os quais o antigo fazendeiro branco e tesoureiro do partido
Roy Bennett, detido sob a acusação de terrorismo ou sabotagem que eles rejeitam.
As instâncias dirigentes do partido "apelaram igualmente o fim dos ataques contra os fazendeiros brancos (...) e a uma mudança de
atitude de alguns altos funcionários que deverão abandonar a sua linguagem partidária e de ódio", precisou Chamisa.
Morgan Tsvangirai, que participou à reunião, reconheceu, todavia, um avanço referente aos governadores provinciais, que o
presidente Mugabe deseja nomeiar unilateralmente.
"Disse-nos que foi encontrada uma fórmula para a atribuição desses cargos e que só falta organizar o acto de prestação de
juramento", segundo o porta-voz.
A partilha do poder visa à saída do Zimbabwe afectada a mais de um ano por uma crise política. Mas a viabilidade da fórmula, e
nomeadamente, a boa fé do presidente Mugabe tem sido objecto de numerosas interrogações.
O secretário-geral do ONU Ban Ki-moon exortou também as partes para que se impliquem "sinceramente" no novo governo e a
libertação de prisioneiros políticos.