Lisboa - África é duplamente penalizada pelas alterações climáticas porque sofre directamente as consequências e não recebe incentivos para a criação de indústrias limpas, defendeu hoje o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros português.
"África é duplamente penalizada. Por estar num estádio de desenvolvimento menos avançado não polui e, portanto, também não tem incentivos especiais, ao contrário do que acontece na Índia, na China, no Brasil, para o desenvolvimento de indústrias limpas", disse João Gomes Cravinho, em entrevista à Agência Lusa a propósito da segunda edição de Os Dias do Desenvolvimento, terça e quarta-feira, em Lisboa.
"Em África, nestes últimos anos, o regime de Quioto não tem favorecido o desenvolvimento de mecanismos de combate as alterações climáticas porque África não é um continente poluidor e como tal também não se desenvolveram mecanismos de
compensação para o desenvolvimento de indústrias não poluidoras", disse o governante.
A segunda edição de Os Dias do Desenvolvimento, organizado pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), terá
como lema "Por um mundo sustentável, desenvolvimento e recursos" e serão discutidos temas como a água e o combate à pobreza, as energias alternativas e o desenvolvimento económico e sustentável, gestão dos recursos e respeito pelo meio ambiente e a eficácia da ajuda aos países pobres.