Maputo - As autoridades sanitárias de Maputo reactivaram o Centro de Tratamento de Cólera na capital moçambicana, face ao aumento do número de infecções registadas, mas asseguram que a situação está controlada e "o número de casos está a diminuir".
Em declarações à agência Lusa, a directora de Saúde da Cidade de Maputo, Alice Magaia, adiantou que permanecem internados no Centro de Tratamento de Cólera (CTC), de Maputo 40 doentes de cólera, sobretudo mulheres, mas também homens e crianças.
Desde que os primeiros casos de cólera começaram a ser identificados em em Dezembro, já morreram duas pessoas que "chegaram tardiamente" ao CTC, instalado num terreno anexo ao Hospital de Mavalane, junto ao aeroporto da cidade, um local vedado e de acesso fortemente condicionado, acessível apenas a pacientes e profissionais de saúde.
"Comparado com o ano passado a situação está bem melhor. O número de casos chegou a aumentar, mas desde Dezembro que têm vindo a diminuir", disse Alice Magaia, justificando a reabertura do centro com a incapacidade das unidades de saúde da capital moçambicana de lidar com o surto registado.
"O número de casos de diarreia aumentou e tivemos a confirmação de que estavam associados à cólera e os hospitais gerais não tinham capacidade de receber estes casos, por isso o CTC teve que ser reaberto", apontou.
A responsável da Saúde em Maputo aconselha, por isso, os habitantes da capital a "dirigirem-se às unidade sanitárias assim que detecte um caso de diarreia" e não "fiquem em casa a achar que o sintoma é ligeiro e vai passar".
Alice Magaia reforçou, contudo, a necessidade de os habitantes de Maputo tomarem "medidas preventivas", que são "mais importantes e eficazes" "Cuidar da água e do lixo, que deve ser bem conservado e enterrado, ter as latrinas sempre tapadas (...) Se lutarmos para ter estes três pontos, principalmente a água, resolvíamos o problema", considerou.
A cólera já fez 49 mortos em oito das 11 províncias de Moçambique nos últimos 10 meses, com 3.539 casos confirmados no mesmo período.
As províncias mais afectadas continuam a ser as do centro e norte do país, com destaque para Manica e Tete (centro), Niassa e Nampula (norte).
Para ajudar as vítimas da cólera, o Ministério da Saúde de Moçambique abriu cerca de 15 centros de emergência para o tratamento da doença nas oito províncias do país.