Luanda - O fracasso da cimeira entre o ex- presidente Marc Ravalomanana e o presidente da Transição Andry Rajoelina, nas Ilhas Seychelles, cujo objectivo era resolver a crise política no Madagáscar, dominou a actualidade africana dos últimos sete dias.
Reunidos na Ilha de Mahé, nas Seychelles, os dois actores-chave da crise que paralisa o país desde 2009 não conseguiram novamente resolver os seus diferendos, apesar das longas conversações indirectas realizadas quarta-feira e de um frente-a-frente de curta duração, mediado pelos presidentes sul-africano Jacob Zuma e o seychellense, James Michel.
Após uma primeira reunião há duas semanas, Ravalomanana e Rajoelina tentam levantar os bloqueios que entravam a organização de eleições, especialmente das presidenciais cujas duas voltas são previstas, respectivamente, para 08 de Maio e 03 de Julho de 2013.
O principal ponto de desacordo parece continuar relacionada à vontade de Ravalomanana regressar livre ao país e candidatar-se às eleições.
Durante a semana finda foi igualmente manchete, a proclamação dos resultados da segunda volta das legislativas na República do Congo, ganhas com maioria absoluta pelo Partido Congolês do Trabalho (PCT, no poder) do presidente Denis Sassou Nguesso.
O PCT, conquistou sem surpresa a maioria na Assembleia Nacional ao vencer 89 dos 136 assentos, dando ao poder a missão de modificar a Constituição e permitir ao presidente Denis Sassou Nguesso candidatar-se nas presidenciais de 2016.
A actualidade africana ficou também marcada com o prosseguimento do périplo da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ao continente africano.
Hillary Clinton, que iniciou a sua digressão por África a 31 de Julho, passou pelo Senegal, Uganda, Sudão do Sul, Quénia, Malawi, África do Sul, Nigéria e Ghana, onde participou sexta-feira nas exéquias fúnebres do antigo presidente ghanense, John Atta Mills. A secretária de Estado norte-americana visita hoje o Benin para uma breve visita.
Durante o período em análise, a crise no leste da República Democrática do Congo (RDC), onde os rebeldes do Movimento de 23 de Marco (M23) realizam vários ataques contra o exército governamental, também foi destaque.
Quinta-feira, o governo de Kinshasa reiterou que não vai negociar com os motins do M23 que combatem desde Abril o seu exército no leste do país.
Outro facto de relevância noticiosa foi a vaga de violências que agitam a região sudanesa de Darfur (oeste) tendo já causado a deslocação de 25 mil pessoas, segundo a ONU.
O boletim semanal da ONU datado de sexta-feira indicava que “toda a população do campo deslocados de Kassab - 25 mil pessoas - fugiram das suas casas por causa dos combates”.