Abidjan - O presidente da Comissão de reconciliação na Côte d'Ivoire, Charles Konan Banny, condenou hoje (sexta-feira) os recentes ataques mortíferos em Abidjan, exortando "a virar as costas à violência" e apelou ao poder a apoiá-lo.
"Voltemos as costas à violência sob todas as suas formas!", lançou o antigo Primeiro-ministro, chefe da Comissão diálogo, verdade e reconciliação (CDVR).
Segundo o responsável, o país voltou a mergulhar-se "numa atmosfera venenosa" com estas violências que são "o prolongamento das violências verbais, expressão de ódio, que ocorreram nas últimas semanas" na imprensa ivoiriense.
Defendendo a "confiança" e o "diálogo", Banny adiantou que o "sucesso" da reconciliação depende da sua "determinação" de "fazer todos os esforços para remover as dificuldades que marcaram o caminho traçado pelo CDVR.
"Esperamos pela manifestação clara de permanente da vontade política de ver os ivoirienses unidos independentemente das divisões de qualquer espécie. Isto passa também pela confirmação da independência da comissão e pelo respeito escrupuloso da equidade e da justiça", considerou.
Colaboradores de Banny afirmaram que a comissão, criada após a crise pós-eleitoral (Dezembro de 2010-Abril de 2011) que causou cerca de 3.000 mortos, não dispõe de meios financeiros necessários e deploraram algumas detenções contra os apoiantes do ex-presidente Laurent Gbagbo.
Uma série de ataques a 05 e 06 de Agosto causaram a morte de dez militares na capital económica ivoiriense. O governo acusou os apoiantes de Gbagbo, o que foi desmentido pelo ex-partido no poder, a Frente popular ivoiriense (FPI).