Bissau - O ministro das Finanças do governo de transição da Guiné-Bissau apelou às instituições financeiras internacionais e União Europeia para que voltem a cooperar com o país, como forma de ajudar a aliviar a pobreza da população.
Abubacar Demba Dahaba fez este apelo à saída de uma reunião, realizada quinta-feira ao fim da tarde em Bissau, entre elementos do governo de transição e os parceiros internacionais do desenvolvimento do país, para explicar os passos já dados pelo executivo e quais as perspectivas em curso.
Em declarações hoje (sexta-feira) divulgadas pela imprensa local, o ministro das Finanças guineense afirmou que, apesar de a Guiné-Bissau ter conhecido um golpe de Estado (a 12 de Abril passado), as novas autoridades entendem que os projectos que estavam em curso, com o apoio da comunidade internacional, não deveriam ser interrompidos.
"Até agora os projectos estão congelados desde os acontecimentos de 12 de Abril. Nós estamos a solicitar a essas instituições, sobretudo o Banco Mundial e o Banco Africano do Desenvolvimento e a própria União Europeia, para que retomem a cooperação, porque na luta contra a pobreza quem acaba por beneficiar é a população da Guiné-Bissau", observou Demba Dahaba.
"À população da Guiné-Bissau não pode ser negada essa ajuda. Os projectos que estavam curso (antes do golpe de Estado) até agora não arrancaram, sobretudo projectos do Banco Mundial, do Banco Africano do Desenvolvimento e da União Europeia. São projectos para o desenvolvimento económico e social deste país", disse ainda o governante.
"Mesmo havendo problemas políticos, nós estimamos que projectos de luta contra pobreza devem ser reatados", precisou o ministro das Finanças do governo de transição, salientando ainda os esforços que diz estarem a ser empreendidos pelas novas autoridades.
"Estamos a fazer todo um esforço para cumprir a agenda da transição e pensamos que a comunidade internacional devia trabalhar connosco e apoiar-nos", frisou Abubacar Demba Dahaba.
O ministro das Finanças guineense adianta que, neste momento, a Guiné-Bissau apenas recebe apoios da Nigéria, da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) e UEMOA (União Monetária Oeste Africano).
A Guiné-Bissau conheceu mais um golpe de Estado militar no dia 12 de Abril, no qual foram destituídos o presidente interino do país e o Primeiro-ministro, tendo sido instituídos, com apoio da CEDEAO, um presidente e um governo de transição.
À excepção da CEDEAO, a comunidade internacional não reconhece as autoridades de transição.