Cidade da Praia - O Conselho Nacional do Partido Africano da Independência de Cabo-Verde (PAICV, no poder) reúne-se este fim-de-semana para debater a derrota nas autárquicas de 01 de Julho e preparar um plano de acção política, noticiou a Lusa.
Segundo a porta-voz do Conselho Nacional, Cristina Fontes, o partido vai agora analisar as causas da derrota nas autárquicas e tirar ilações para a definição de um plano de acção política para os próximos tempos.
"Já ficou claro a necessidade de tirar as ilações sobre os resultados, nomeadamente a nível interno. Precisamos de medidas para reforçarmos a coesão interna, superarmos questões que poderão ter ficado para serem superadas", explicou.
Cristina Fontes explicou que o PAICV é um partido com vocação de poder, mas que também sabe perder pelo que o momento agora é de "olhar para dentro e poder se renovar".
"Consideramos que o balanço desses 11 anos de governação é positivo. Já nas autarquias temos situações boas e outras más.
Uma das consequências será olharmos para dentro do partido, para a forma como fazemos política, a forma como nos estruturamos para assumir tanto a situação como a oposição, mas com consistência e não nos concentrarmos só nas eleições", disse.
Cristina Fontes falou ainda da necessidade de maior abertura do partido a participação dos militantes e assim também receber propostas da sociedade civil.
A necessidade de se começar a pensar as novas lideranças também estará em debate.
"Teremos que abrir espaço para debate para podermos também absorver propostas que venham da sociedade e poder ser um partido capaz de gerar também novas lideranças, há a preocupação de também projectarmos isso", avançou.
Neste sentido, a porta-voz do Conselho Nacional do PAICV explicou que o exercício de construção de um plano de acção para o futuro visa também responder aos apelos dos militantes de se concentrar nas ideias e nas propostas.
"Ficou claro a necessidade de olharmos para dentro, para perceber o que não está a funcionar bem e responder ao apelo dos militantes e eleitores que querem ver um PAICV que consiga pelas ideias, pelas propostas e pelos argumentos convencer o eleitorado como tem vindo a fazer.
"Vamos analisar caso a caso as eleições municipais, mas a nível local as orientações vão no sentido de lá onde o PAICV for oposição exercer esse papel com responsabilidade e com permanência e onde for situação assumir as responsabilidades e conseguir melhorar a sua actuação. Há uma clara convicção a nível da governação de também retirar ilações de forma a responder as expectativas dos cidadãos", concluiu.
Segundo os resultados finais provisórios da votação de 01 deste mês, o MpD reforçou a maioria autárquica, ao passar de 12 para 13 o total de municípios, enquanto o PAICV desceu de 10 para oito. Cabo-Verde conta com 22 municípios.