Nova Iorque - As tropas congolesas e dos Capacetes caminham em direcção a Goma, no Leste da República Democrática do Congo (RDC), localidade colocada sob alta vigilância, receando um ataque dos rebeldes que ganharam terreno nos últimos dias, na província do Kivu-Norte, anunciaram segunda-feira à noite, responsáveis das Nações Unidas, citadas pela Lusa.
O Conselho de segurança deve analisar hoje (terça-feira), a situação nesta província vizinha do Rwanda, país acusado de apoiar a rebelião, numa altura em que está prevista para quarta-feira, a realização em Addis Abeba, de uma reunião inter-ministerial dos países da região dos Grande Lagos, para tentar reduzir a tensão entre Kinshasa e Kigali.
As autoridades congolesas e as Nações Unidas, temem que os motins do Movimento de 23 de Março (M23), que haviam conquistado no final da semana passada, várias localidades e obrigaram as tropas governamentais a fugir, lancem uma ofensiva contra Goma, capital do Kivu-Norte, precisaram os responsáveis da ONU.
Entre sexta-feira e domingo, na província Kivu-Norte, os motins do M23 tomaram Bunagana, próximo do Uganda, após combates com o exército congolês, seguindo-se a uma meia dúzia de localidades, incluindo Rutshuru, desta vez sem resistência, tendo as forças governamentais sido "afastadas" antes da chegada dos rebeldes.
"Será um desastre se Goma for tomado", advertiu um responsável da ONU que pediu o anonimato.
Para si, o governo congolês está a enviar no local um batalhão estacionado no norte do país e treinado por instrutores americanos. Este batalhão, encarregue de combater o Exército de Resistência do Senhor (LRA) que opera numa grande zona do Uganda, RDC, República Centro-Africana e Sudão do Sul, deve se juntar aos 7 mil militares já destacados no Kivu-Norte.
A Missão da ONU na RDC (Monusco), composta por 18 mil homens, vai por sua vez enviar para Goma tropas do Ghana, da Guatemala, da Jordânia e do Egipto, sob o comando do general britânico Adrian Foster.
O M23, é constituído por ex-combatentes da rebelião tutsi congolesa do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), integrados nas Forças armadas congolesas (FARDC), no quadro de um acordo de paz com Kinshasa assinado a 23 de Março de 2009.
Os motins, que exigem a plena aplicação destes acordos, começaram a desertar em Abril. No decurso das últimas duas semanas, Eles passaram de mil para dois mil combatentes.