Cairo - Os presidentes do Egipto e da Tunísia, que chegaram ao poder graças às revoltas populares nos seus países, indicaram durante conferencia de imprensa sexta-feira que apoiam o povo sírio, mas rejeitam uma intervenção militar estrangeira contra Bashar al-Assad.
O islamita egípcio Mohamed Morsi, eleito em Junho, e o tunisino Moncef Marzouki, também ressaltaram o apoio aos palestinianos.
"Estamos ao lado do povo sírio, na sua luta e na sua revolução", declarou Morsi.
"Somos contrários a uma intervenção militar estrangeira na Síria", ressaltou.
Marzouki, que havia reunido com Morsi nas suas instalações no Cairo antes da colectiva, disse que uma intervenção militar para acabar com a repressão do governo contra a rebelião "só aumentaria o problema".
Os dois presidentes afirmaram que estão "de acordo sobre o apoio à causa palestina e à reconciliação" entre Fatah, que controla a Cisjordânia, e o Hamas, no poder na Faixa de Gaza e que tem ligações históricas com a Irmandade Muçulmana, à qual pertence Morsi.
O Hamas saudou a vitória de Morsi nas eleições do mês passado sobre o ex-Primeiro-ministro de Hosni Mubarak, Ahmed Shafiq, que provavelmente seguiria o exemplo do ditador derrubado em favorecer o Fatah, do presidente palestino Mahmud Abbas.
Contudo, Moorsi afirmou estar a uma "distância igual de todas as facções palestinas", enquanto Marzouki indicou estar "feliz em constatar que o novo Egipto abrirá as suas fronteiras e o coração para nossos irmãos, especialmente em Gaza".
Morsi não informou se o seu governo vai reduzir as restrições na fronteira com Gaza, bloqueada parcialmente por Israel e Egipto depois que o Hamas expulsou o Fatah do enclave em 2007 em meio a confrontos armados.
Durante a campanha eleitoral, Morsi manifestou apoio ao direito dos palestinianos à resistência e a sua reivindicação para que os refugiados voltem para as suas casas de onde foram expulsos na guerra de 1948.
Depois da eleição, porém, passou a adoptar um tom mais moderado sobre o conflito entre israelitas e palestinianos, afirmando que o seu país irá respeitar o tratado de paz firmado com Israel em 1979.