Addis Abeba - As conversações directas entre o Sudão e o Sudão do Sul, que decorrem em Addis Abeba, há uma semana, foram adiadas hoje (quinta-feira), para 05 de Julho, sem acordo sobre a delimitação de uma zona tampão desmilitarizada ao longo da sua fronteira contestada, segundo um membro da delegação de Cartum, citado pela AFP..
"Partimos para consultas com os nossos governos respectivos e retornaremos daqui há uma semana", a 05 de Julho, declarou à imprensa Omer Dahab.
A questão de saber se as duas partes haviam concluído um acordo sobre uma zona fronteiriça desmilitarizada, respondeu: "infelizmente, não".
O mediador da União Africana, o antigo presidente sul-africano Thabo Mbeki, felicitou as duas partes pela seriedade demonstrada.
“As duas partes demonstraram uma grande maturidade e seriedade na suas negociações, o que é bom para os cidadãos do Sudão e do Sudão do Sul", declarou.
As anteriores de discussões directas (30 de Maio-08 de Junho), as primeiras desde que as tensões acumuladas após a secessão do Sudão em Julho de 2011, degeneraram em combates fronteiriços mortíferos entre finais de Março e princípios de Maio, terminaram sem acordo sobre a zona desmilitarizada, tida como crucial.
As negociações, conduzidas sob a égide da União Africana (UA), visam regular as questões remanescentes que opõem os dois países, desde a separação do Sudão e a independência do Sudão do Sul, em particular o traçado da fronteira comum, a partilha dos recursos petrolíferos ou o estatuto das zonas contestadas como a de Abyei.
O Sudão e o Sudão do Sul acusam-se mutuamente de alimentar uma rebelião em ambos os territórios.
O Conselho de segurança adoptou a 02 de Maio, por unanimidade, uma resolução dando aos dois países três meses para pôr termo aos seus diferendos, sob pena de lhes serem aplicadas novas sanções.
Os dois países são confrontados com uma situação económica deveras difícil.