Abidjan - Os chefes militares oeste-africanos reuniram-se hoje (sábado), em Abidjan, para definirem a missão e o formato duma força regional suspectível de ser enviado ao norte do Mali, para combater os grupos armados que controlam a região, noticiou à AFP.
A reunião, deve servir para validar o "conceito de operação", elaborado nesses três últimos dias na capital económica ivoiriense, pelos militares da Comunidade Económica dos Estados da África do Oeste (CEDEAO).
O encontro, está a ser assistido por peritos da ONU, da União Africana (UA) e dos Estados Unidos, entre outros, segundo o general Soumaila Bakayoko, chefe do exército ivoiriense.
Essa força, servirá para "estabilizar e consolidar" as instituições de transição em Bamako e, ao lado do exército maliano, "engajar a reconquista do Norte do Mali", controlado desde final de Março, por rebeldes tuaregue e de islamistas armados", lembrou.
Haverá recurso à força ainda que "em última instância", após de se esgotarem todas as vias de diálogo", precisou o general Bakayoko, cujo país presidente actualmente a CEDEAO.
O chefe do estado-maior do exército maliano, o coronel-major Ibrahima Dahirou Dembélé, disse por seu turno, "ser difícil" que a situação no norte se desanuvia "sem uma solução militar, afirmando que "mesmo que hajam negociações, não acredito muito na boa fé" dos grupos armados, sublinhou.
O presidente burkinabe Blaise Compaoré, mediador da CEDEAO, engajou discussões com a rebelião tuaregue e deverá receber domingo, o grupo islamista Ansar Dine.
A reunião de Abidjan tem lugar numa altura em que o Conselho de Segurança da ONU, absteve-se de novo hoje (sexta-feira), de apoiar ao projecto da força de intervenção no Mali apresentado pela UA e a CEDEAO, qualificando-o de muito impreciso.
A organização oeste-africana indicou dispor de três mil homens.
Na sequência do golpe de Estado de 22 de Março em Bamako, a imensa região desértica do norte do Mali, caiu nas mãos do Movimento nacional de libertação de Azawad (MNLA, rebelião tuaregue) e sobretudo de Ansar Dine e do seu aliado jihadiste a Al-Qaida no Maghreb islâmico (Aqmi).