Nova Iorque - A representante especial do Secretário-Geral da ONU para as crianças e os conflitos armados, Radikha Coomaraswamy, disse estar preocupada pelas informações sobre o recrutamento e a utilização de crianças pelos rebeldes tuaregues e pelas milicias islâmicas no norte do Mali.
"Em circunstância alguma, o recrutamento e a utilização de crianças podem ser toleradas" , afirmou Coomaraswamy num comunicado recebido sábado pela PANA em Nova Iorque.
"Desejo lembrar a todas as forças que elas têm por responsablidade respeitar as suas obrigações em virtude do direito internacional", sublinhou.
As informações obtidas indicam igualmente que mulheres e crianças foram capturadas e violadas e alguns hospitais foram saqueados.
"Fomos alertados e controlamos de perto a situação em curso e as violações cometidas contra as crianças em toda parte", disse.
Com a subida da crise humanitária, mais de 200 mil pessoas, das quais numerosas crianças, fugiram do norte do Mali e a situção da segurança volátil e o acesso limitado à região impediram as Nações unidas de inquirir sobre os casos assinalados.
Os conflitos entre as forças governamentais e os rebeldes tuaregues retomaram em Janeiro do corrente ano no norte do país, provocando o deslocamento em massa de civis.
A maioria das pessoas deslocadas das suas aldeias refugiaram-se nos países vizinhos, ao passo que 93 mil outras tornaram-se deslocados internos.
Soldados rebeldes malianos tomaram a 22 de Março o poder em Bamako e anunciaram a dissolução do governo do Presidente Amadou Toumani Touré.
Porém, quinta-feira, o antigo presidente da Assembleia Nacional, Dioncounda Traoré , jurou enquanto Presidente interino, substituindo o capitão Amadou Sanogo, chefe da junta, que tinha tomado o poder através dum golpe e que aceitou mais tarde restituí-lo a uma administração civil em vertude de um acordo concluído com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).