Luanda - A ausência de uma plataforma de concertação política na tomada de decisões importantes para a vida da organização, torna a União Africana (UA) numa espécie de palco de disputas de poder entre os Estados membros, considerou hoje (quarta-feira) em
Luanda, o analista de Política internacional, Belarmino Van-Dúnem.
O académico que comentava o desfecho da 18ª Sessão ordinária da União Africana, que decorreu em Addis Abeba, a capital etíope, qualificou de ambígua essa situação porque segundo ele, isso pode contribuir quer positiva, quer negativamente para o desenvolvimento da organização.
"A UA sempre esteve dividida, pois alguns líderes inclusive chegaram mesmo a não acompanhar e até mesmo contrariar decisões já tomadas no colectivo" - afirmou.
Apontou como exemplo o Senegal, cujo presidente Abdoulaye Wade, foi o primeiro chefe de Estado do continente a reconhecer unilateralmente o Conselho nacional de transição líbio (CNT), tendo também se deslocado a propósito à Líbia para se congratular com as novas autoridades, contra uma decisão tomada pela UA.
Apontou a existência de países como a República Democrática do Congo (RDC), que firmam acordos militares, inclusive, mantendo a presença militar em seu território, quando a UA é claramente contra esse tipo de princípios.
A União Africana (UA), fundada em Julho de 2002, é o órgão sucedâneo da Organização de Unidade Africana (OUA), criada em 1961.
A próxima cimeira da UA está marcada para Julho do ano em curso no Malawi para entre outros assuntos eleger o futuro presidente da Comissão da União (CUA), cargo para o qual concorre para sua própria sucessão o cessante Jean Ping .