Nampula, Moçambique - O secretariado de Nampula do Sindicato Nacional de Jornalistas de Moçambique (SNJ) repudiou "veementemente" o espancamento, na quarta-feira, de dois jornalistas da Televisão de Moçambique (TVM), alegadamente por ex-guerrilheiros da Renamo, reporta hoje a Lusa.
Num comunicado emitido na quinta-feira em Nampula, no norte de Moçambique, o SNJ "condena enérgica e veementemente esta atitude inqualificável que tem sido recorrência por parte dos membros, dirigentes e homens armados da chamada guarda presidencial da Renamo".
De acordo com informações recolhidas pela Lusa, dois jornalistas da TVM, Vicente Martins e Horácio Hermínio, repórter e operador de câmara, estavam a cobrir a situação dos chamados desmobilizados da Renamo que estão há vários meses em Nampula, provenientes de diferentes pontos do país, mobilizados para as manifestações agendadas para Dezembro último e que não se realizaram.
As agressões terão ocorrido na delegação provincial do partido quando Horácio Hermínio preparava a câmara para recolher imagens do cenário, altura em que os antigos guerrilheiros da Renamo investiram bruscamente sobre os dois jornalistas da TVM, injuriando-os e agredindo-os fisicamente, além de confiscarem o seu material de trabalho.
O incidente não atingiu maiores proporções devido à pronta intervenção da polícia, que também permitiu a recuperação do material de trabalho.
António Nihorua, chefe da mobilização e propaganda da Renamo, em Nampula, alega que os dois jornalistas espancados "não possuíam a requerida autorização por parte do seu partido para realizarem qualquer recolha de informação para fins noticiosos".
Vicente Martins contraria estas alegações e esclarece que a sua equipa de reportagem pretendia fazer uma abordagem sobre as péssimas condições de higiene naquele local.
O jornalista acrescentou que a reportagem procurava apurar a "deficiente alimentação" daqueles militantes, que diz apenas beneficiarem de uma refeição por dia e que muitos deles evidenciam uma "impressionante debilidade" física.
"Não tínhamos intenções de natureza política, apenas nos movia o desejo de salvaguardar a questão concernente aos direitos humanos de que aqueles homens estão a ser privados pelo seu líder, Afonso Dhlakama, que prometeu manifestações pacíficas que têm vindo a ser adiadas reiteradamente", disse aquele jornalista do canal público de televisão.
A Polícia da República de Moçambique (PRM) afirma ter elaborado já um auto de denúncia contra os indivíduos que perpetraram a agressão contra os dois profissionais da comunicação social.
Segundo o oficial de imprensa no comando da PRM, Miguel Bartolomeu, foi já criada uma brigada técnica para efetuar as investigações ao incidente.