Tânger - A construtora automóvel Renault inaugurou hoje (quinta-feira) a sua fábrica gigante em Tânger, Marrocos, uma nova base "low cost" às portas da Europa, servindo de ponte em direcção à África, que reavivou em França uma polémica, atiçada pela aproximação de eleições presidenciais, escreve Laure Fillon para a AFP.
O rei de Marrocos Mohammed VI e o Presidente Director-Geral da construtora automóvel francesa Carlos Ghosn estavam presentes na ocasião.
Neste momento, apenas uma cadeia de montagem está em funcionamento, onde são produzidos entre 150 e 170.000 veículos por ano, quando trabalha em pleno.
Entretanto, a sua capacidade duplicará a partir de 2013 com uma segunda linha.
Prevendo empregar 6.000 trabalhadores no local, com um salário mensal médio de 250 euros.
A Renault estima que os empregos indirectos com os fornecedores poderão atingir os 30.000 empregados. Actualmente, a fábrica emprega 2.500 trabalhadores.
A fábrica é importante para Marrocos, que espera desenvolver uma indústria automóvel digna desse nome que actualmente é limitada a uma montadora de Somaca em Casablanca já controlada pela Renault, mas também por outra construtora francesa.
A marca do losângulo (em homenagem ao dístico da Renault) detem já 37% do mercaro marroquino.
Ela vai gerar 3,5 bilhões de euros de exportações suplementares para o reino, segundo o ministro da Indústria Abdelkader Aâmara. A fábrica caminha em primeiro lugar mundial em termos de redução da poluição, com zero emissão de CO2.
O grupo vai investir um bilhão de euros para montar em Tânger três futuros modelos da sua gama de baixo preço, vendidos na Europa e em todo o mediterrâneo, sob a marca sob a marca de Dacia e também com as cores Renault.
"Tânger vai permitir relançar a fábrica romena de Pitesti que chegou à saturação", indicou Ghosn durante a inauguração. Renault fabrica a pequena berlina Logan e seus derivados, a berlina Sandero e o 4x4 Duster, os motores e as caixas de velocidades.
A construtora gaulesa beneficia em Marrocos numerosas vantagens da zona franca (exoneração de impostos sobre as sociedades durante cinco anos, sem taxas de exportação, formalidades aduaneiras acelerradas onde uma dezena de equipamentos são implantadas. Mas a sua discrição sobre o destino dos veículos relançou a polémica em França.
Os sindicatos acreditam que a produção, exportada em 85%, não faça a concorrência a dois modelos fabricados pelo Hexâgono, o monospaço Scénic e o utilitário Kangoo.
As críticas mais virulentas vêem da direita e da extrema-direita. O ministro da Indústria da direita Christian Estrosi acusa a Renault de fazer um "dumping social em Marrocos", uma escolha "perigosa e insustentável".
"Não é uma coisa que se faz em detrimento da França", mas "que vem ao contrário acrescentar o encargo de trabalho em França (...) nas nossas engenharias, nas nossas fábricas, a nível dos nossos fornecedores", defendeu-se hoje Carlos Ghosn.
A Renault montará em Marrocos um monospaço, o Lodgy, que é um utilitário e um terceiro modelo ainda tido em segredo. As caixas de velocidades, os motores e de outros componentes serão importados da França, Espanha e da Roménia
O automóvel Lodgy, na sua versão base, será vendido a 10.000 euros, indicou o directora da fábrica, Tunç Basegmez, a margem da inauguração. Ou seja a metade do que um Scénic. "Nossos grandes clientes serão os países da Europa no início", acrescentou.
O Lodgy será vendido em França em Abril deste ano, entretanto, a Renault recusa-se a precisar qual é volume das vendas que espera atingir nesse mercado, mas " não serão volumes marginais", assegurou Arnaud Deboeuf, que encabeça o programa "Entry" (low cost) da Renault.