Lisboa - O escritor equato guineense Juan Tomás Ávila defendeu, em entrevista à Lusa, que para o povo da Guiné Equatorial é "absolutamente indiferente" a entrada do país para a comunidade lusófona, sustentando que ali jamais se falará português, noticia hoje (sábado) a LUSA .
"Não conhecendo os equato-guineenses o que é a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), é-lhes absolutamente indiferente. No que respeita ao quotidiano dos seus cidadãos, a Guiné-Equatorial nunca será da CPLP. No papel, por causa dos negócios, claro que se pode dizer que é, mas isso não incidirá nunca na vida dos equato-guineenses", disse Juan Tomás Ávila.
O escritor e activista da Guiné-Equatorial está de visita a Portugal para participar numa série de conferências sobre a situação política do seu país - a começar já hoje numa iniciativa do Centro Intercultura Cidade de Lisboa.
"Dir-se-á que a Guiné-Equatorial é membro de qualquer coisa, mas será como dizer que houve um terramoto em Osaka. Para os guineenses é exactamente igual", sublinhou.
A Guiné Equatorial, país com pouco mais de 600 mil habitantes, rico em petróleo e gás natural, aprovou em Outubro de 2011 o português como terceira língua oficial, além do espanhol e do francês, como parte do seu processo de aproximação à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O país ambiciona trocar, em Julho deste ano, o actual estatuto de país observador da CPLP pelo de membro de pleno de direito.
O escritor adiantou que não é por aprovar o português como língua oficial que o país terá mais afinidades com o espaço lusófono.
"A Guiné-Equatorial faz parte da francofonia e as pessoas sabem que na Guiné-Equatorial não se fala nem se falará francês nunca", exemplificou.