Abidjan - O partido do antigo presidente ivoiriense Laurent Gbagbo recusou de antemão as conclusões de uma comissão de inquérito sobre a violência cometida durante a crise de 2010-2011, criada pelo chefe de Estado Alassane Ouattara, segundo um comunicado transmitido hoje (quarta-feira) à AFP.
"O poder de Ouattara não era esperado no relatório desta comissão antes de colocar na prisão várias simpatizantes do presidente Laurent Gbagbo e proceder a sua deportação em Haia", no Tribunal Penal Internacional (TPI) que o suspeita de crimes contra a humanidade, afirmou o porta-voz da Frente Popular Ivoiriense (FPI), Laurent Akoun.
Vinte figuras do regime deposto, das quais a ex-primeira dama Simone Gbagbo, estão detidas na Côte d'Ivoire desde o fim da crise de Dezembro de 2010 e Abril de 2011, que causou pelo menos 3.000 mortos, após a recusa de Gbagbo de reconhecer s sua derrota a eleição de Novembro de 2010.
O poder antes "demonstrou" o seu carácter partidário", os ivoirienses não podem esperar "um relatório objectivo de uma comissão empossada por ele", estimou o FPI, que denuncia uma "justiça dos vencedores" perdoando os pró-Ouattara suspeitos de crimes.
O governo de Ouattara colocou uma "comissão nacional de inquérito" encarregue de explicar tudo sobre as violações dos direitos Humanos durante a crise.
A comissão, que trabalha paralelamente nos inquéritos da justiça ivoiriense antes conduzindo o encarceramento de pro-Gbagbo, iniciou recentemente em Abidjan as suas investigações e deve entregar o seu relatório até finais de Fevereiro de 2012 a Ouattara.