Luanda - O analista de Relações Internacional, Francisco Ramos da Cruz, disse hoje (quarta-feira) em Luanda que a inauguração de nova sede da União Africana (UA), a 29 de Janeiro de 2012, em Addis Abeba, é um marco importante para a vida da organização continental, mas deplora o facto de ser uma doação.
Ramos da Cruz fez essas declarações à Angop quando analisava os resultados da 18ª cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Africana, realizada de 30 a 31 de Janeiro de 2012, na capital etíope.
o analista frisou que embora a inauguração da sede vem criar maior estabilidade no funcionamento da união, a fonte não deixou de manifestar a sua preocupação pelo facto da construção do edifício ser uma doação de 200 milhões de dólares do Governo chinês.
Para o docente universitário, esse facto criará um clima para que esse país asiático se impõe em África, onde, segundo alguns observadores, já possui 21 mil empresas.
Quanto ao fracasso da reeleição do então presidente da Comissão da União Africana (CUA), o gabonês Jean Ping, Ramos da Cruz sublinhou que ele já não tinha muitas condições para permanecer no cargo.
Acrescentou que os acontecimentos ocorridos no continente, nos últimos anos, nos quais os africanos não foram proactivos ditaram o seu insucesso.
“ Nos conflitos na Côte d'Ivoire, Líbia, RD Congo notaram-se vozes mais determinantes vindas fora do continente, enquanto os africanos limitaram-se a reagir, e quando se reage se já vai atrasado”, enfatizou.
Sustentou que como a letargia dos africanos foi imputada à Comissão da União Africana, é evidente que, a pessoa mais visada seja o presidente da instituição, por isso dificilmente ele poderia continuar.
Entretanto, dois candidatos apresentaram-se para ocupar o cargo do presidente da Comissão da União Africana, o gabonês Jean Ping que concorreu a sua sucessão e a actual ministra sul-africana do Interior, Nkozasana Dlamini Zuma, tendo o primeiro conseguido 32 votoscontra os 21 da sua opositora.
Ping para que fosse reeleito precisava de 36 votos, por não os ter conseguido a escolha do líder da CUA foi adiado para a cimeira da organização em Lilongwe, Malawi, em Julho deste ano,onde se fará também a eleição do vice-presidente e dos comissários da comissão.