Luanda - A possível eleição da actual ministra sul-africana do interior, Nkozasana Dlamini Zuma, à presidência da Comissão da União Africana (CUA) foi considerada pelo analista político angolano, Francisco Ramos da Cruz, de benéfica para o continente africano, porque a África do Sul tem sido chamada, nos últimos anos, a intermediar a solução de conflitos em todo o continente.
O analista defendeu hoje (quarta-feira), em Luanda, essa opinião quando falava à Angop para se debruçar sobre os resultados da recém termidada 18ª cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Africana, realizada de 30 a 31 de Janeiro
de 2012, em Addis Abeba, Etiópia.
Ramos da Cruz sustentou que “se a UA reconhece à África do Sul capacidade para intervir na mediação de conflitos, é lógico que deve ser escolhida para a presidência da Comissão da UA”.
Acrescentou que a África do Sul esteve envolvida na busca de soluções dos conflitos da Côte d'Ivoire, da Líbia, da República Democrática do Congo e outros que surgiram nos últimos anos.
Além desta faceta, sublinhou que por uma questão de género, do qual é exigido a todos os Estados para reservar 30 porcentos de cargos às mulheres, seria benéfico que fosse também escolhida uma representante da camada feminina para a liderar
a comissão da União Africana.
O também docente da Universidade Independente de Angola (UNIA) realçou que se já existe uma chefe de Estado, a presidente Ellen Johson-Sirleaf, da Libéria, o mesmo deveria acontecer também ao Executivo da organização continental.
“ Dlamini Zuma tem peso, porque já exerceu muitos cargos de relevo no seu país, a África do Sul faz parte dos BRICS está no Conselho de Segurança da ONU, além disso é a nação mais industrializada de África, por isso, teria um papel determinante a desempenhar no interesse do continente”, realçou.
Disse que se a Nkozasana Zuma for eleita em Julho deste ano em Lilongwe, Malawi, trará ganhos para a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), por ser uma das formas da região influenciar a sua política e salvaguardar os seus
interesses.
Informou ainda que a África do Sul tem reclamado o facto de Jean Ping, como candidato à reeleição, continuar a gerir a política da comissão, até Julho de 2012, porque permite-o influenciar as coisas a seu favor.
Sublinhou que aquando da visita de Ping à Tripoli, ele prometeu ajuda àquele país, interrogando-se onde arranjaria dinheiro, se não conseguiu recursos para apoiar a Somália e a RD Congo, e outras regiões assoladas por crises e a seca no Corno de
África.
Interrogado a comentar se recusa da SADC em apoiar a reeleição de Ping não levará a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEAC) a retaliar, Ramos da Cruz negou esse facto, realçando também não ter havido unanimidade no apoio ao gabonês.
Segundo a fonte, se a CEAC e a Comunidade Económica dos Estados da África do Oeste (CEDEAO) apoiassem todos o Jean Ping, ele não teria apenas 32 votos, por isso, “não houve unanimidade para a sua reeleição.
“Por isso, tudo está aberto para a eleição do novo líder da Comissão da União Africana”, concluiu.
Entretanto, dois candidatos apresentaram-se para ocupar o cargo do presidente da Comissão da União Africana, o gabonês Jean Ping que concorreu a sua sucessão e a actual ministra sul-africana do Interior, Nkozasana Dlamini Zuma, tendo o primeiro
conseguido 32 votos, contra os 21 da sua opositora.
Ping para que fosse reeleito precisava de 36 votos, por não os ter conseguido a escolha do líder da CUA foi adiado para a cimeira da organização em Lilongwe, Malawi, em Julho deste ano,onde se fará também a eleição do vice-presidente e dos comissários da comissão.