Luanda - A última Cimeira da União Africana (UA), que decorreu em Addis Abeba, revelou que são cada vez mais evidentes as clivagens no seio da organização continental, pelo facto de não existir uma coordenação quer a nível de política externa dos Estados membros quer em termos regional.
A opinião é do analista de Política internacional, Belarmino Van-Dúnem, que falava em exclusivo à Angop, quando reagia aos resultados da 18ª cimeira da União Africana que decorreu em Addis A beba, Etiópia de 29 a 30 de Janeiro.
De acordo com o professor universitário, as clivagens no seio da UA também foram notórias a nível do presidente em exercício, pois em sua opinião, ?era consenso até a altura aparecer um candidato por cada região, mas desta vez, notou-se inclusive, que para presidente em exercício, apareceram três países candidatos, embora o Benin tenha ganho e os outros dois desistido?.
O analista é de opinião que devido a flexibilidade e a falta de firmeza da UA em relação aos interesses dos Estados africanos, obrigou a África do Sul a apresentar a candidatura da sua actual ministra do Interior Nkozasana Dlamini Zuma, como a pessoa que iria dar um novo rumo a organização, através da execução e da programação de determinados objectivos que pudessem tirar a África do marasmo em que se encontra.
?Por sua vez, lembrou, o Gabão, através do seu candidato em exercício Jean-Ping, fez a sua diplomacia no sentido de conseguir um mandato que tem sido costume até agora, ou seja, o presidente das Comissões repetir o mandato?.
Ping e Zuma contaram cada um com apoio declarado das suas regiões económicas, nomeadamente, a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEAC) e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
O apoio a Ping foi declarada na cimeira deste órgão regional, realizado, este ano, em N,Djamena (Tchad), enquanto a Zuma por todos membros da zona sul de África e reconfirmada pela presidência angolana da SADC quer em Luanda, quer em Addis Abeba.
De notar que o presidente cessante da Comissão da União Africana (CUA), o gabonês, Jean Ping, obteve 32 dos 36 votos necessários para a sua reeleição, ou seja dois terços sobre os 53 Estados votantes.
Numa eleição cerrada Jean Ping obteve 32 votos contra os 21, da sua opositora, a sul-africana Nkozasana Dlamini Zuma, no final da 18ª cimeira dos chefes de Estado e de Governo, que decorreu de 29 a 30 deste mês.