Joanesburgo - O rei zulu Goodwill Zwelithini, chefe tradicional da maior comunidade sul-africana, tratou os homossexuais de "fedorentos" durante uma cerimónia oficial, forçando o presidente Jacob Zuma a rectificar esta posição, reportou hoje (segunda-feira) a imprensa local.
"Tradicionalmente, ninguém mantinha relações com uma pessoa do mesmo sexo. Isto não existia e aqueles que o fazem devem saber que são fedorentos", declarou domingo o rei Zwelithini, à margem das festividades do 133º aniversário da batalha de sandlwana, a maior derrota do exército britânico face aos zulus em 1879.
"Eu não ligo para o que vocês pensam. Se vocês são homossexuais, devem saber que é mau e que vocês são fedorentos. A homossexualidade é inaceitável", acrescentou, citado pelo jornal The Times.
O presidente sul-africano Jacob Zuma, que é igualmente zulu e participou na cerimónia, reagiu indirectamente na sua alocução na tribuna.
"Actualmente, estamos confrontados com numerosos desafios que vão desde a reconciliação à construção de uma nação que não discrimina as pessoas nem em função da sua cor da pele ou da orientação sexual", declarou Zuma.
Há seis anos, Zuma havia também criado um incidente ao considerar que o casamento homossexual, aprovado desde 2006 na África do Sul, "desonrava" o seu país. Acrescentou que na sua juventude, não hesitava em bater os homossexuais, antes de ter que pedir desculpas.
Desde o fim do apartheid, a África do Sul distingue-se pela sua preocupação em assegurar a igualdade dos direitos dos homossexuais, que são protegidos pela Constituição enquanto que na maior parte dos países africanos, a homossexualidade tende a manter-se um tabu ou até mesmo crime.
A lei fundamental, aprovada por Nelson Mandela em finais de 1996, proíbe explicitamente toda a discriminação em critérios de orientação sexual.
A homossexualidade, passível a 10 anos de prisão na época do apartheid, foi efectivamente despenalizada em 1998.
O país autoriza os casais do mesmo sexo a casar-se, bem como a adoptar crianças e usar uma barriga de aluguer para ter filhos. E afirma-se abertamente como um destino turístico para os gays.
Mas enquanto as mentalidades evoluíram consideravelmente na cidade e no seio da minoria branca, os homossexuais residentes nas zonas rurais ou nas pequenas cidades continuam a confrontar-se com manifestações de intolerância e até de violência aberta.