Addis abeba (Do enviado especial) – O presidente cessante da Comissão da União Africana, o gabonês Jean Ping, disse hoje (segunda-feira) em Addis Abeba que o ano 2011 foi o que maiores movimentações politicas, crises e conflitos registou, desde inicio dos processos de democratização na década 90, do século XX, no continente africano.
Intervindo na abertura hoje da 23/a Sessão Ordinária do Comité dos Representantes Permanentes (CRP), o gabonês ao serviço da UA acrescentou que as crises e conflitos antigos, juntou-se a “Primavera Árabe”, que trouxe mudanças constitucionais no Egipto, Tunísia e Líbia, tendo eclodido igualmente uma guerra na Côte d’ Ivoire.
Jean Ping sublinhou que face aos desafios que ameaçaram a estabilidade das regiões afectadas pelos conflitos, suas vizinhanças e mesmo a unidade de Africa, a União Africana (UA) não poupou os seus esforços para contribuir na sua solução.
Sustentou que com as mudanças registadas no Egipto e na Tunísia que marcaram um novo processo da democratização, igual ao registado na década de 90, a UA além de acompanhar esses movimentos desde o inicio, fez também prova de criatividade e de flexibilidade, não baseando a sua acção apenas na leitura literal e dogmática dos textos existentes, mas na necessidade de contribuir para a realização dos objectivos prosseguidos pela UA.
Segundo o líder do Executivo da UA, a organização continental engajou-se também na consolidação dos processos de democratização no continente, em conformidade com as decisões tomadas pelo Conselho de Paz e Segurança da (CPS) em Janeiro de 2011 sobre a Tunísia e em Fevereiro do mesmo ano, no concernente ao Egipto.
Em relação a Líbia, frisou que os movimentos pacíficos, iniciados como na Tunísia e no Egipto, foram duramente reprimidas, tendo degenerado rapidamente para uma guerra fratricida com riscos para a secessão e “Somalização”. Informou que a UA condenou a repressão das manifestações pacificas pelas autoridades líbias.
Para terminar a crise líbia, sustentou o diplomata gabonês, a sua instituição elaborou um “Plano de Paz ou Guia de Marcha” que propôs aos intervenientes, desde o inicio da crise, tendo englobado nele todos os factores, com vista a terminar o conflito, lamentando que esse passo da sua instituição, não impedira que as armas se disseminassem em todo território líbio.
Na opinião da UA, o referido “Plano de Paz Guia de Marcha”, totalmente ignorado pela Coligação internacional (liderada pela Franca, Reino Unido, Estados Unidos, e outros membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), continua ainda hoje valido para a estabilização daquele pais do Maghreb.
“Desloquei-me em todos os países da Africa do Norte membros da UA e a mensagem que passamos é que a União Africana continua interessada na estabilização da segurança, paz, e na reconstrução da Líbia”, asseverou.
Acrescentou que outra preocupação que transmitiu, na recente visita que efectuou á Tripoli, refere-se ao melhoramento e a normalização de relações entre a Líbia e os seus vizinhos .
A 23/a Sessão Ordinária dos Representes Permanentes (CRP) dos Estados membros da União arrancou hoje, num encontro, no qual sairão questões a serem submetidas á 20/a reunião do Conselho Executivo da UA.
Angola participa na reuniãoo com uma delegação que integra o embaixador na Etiópia e junto da UA, Arcanjo Maria do Nascimento, o director da Africa e Medio-Oriente (DAMO) do ministério das Relações Exteriores, Joaquim do Espírito Santo e por outros quadros seniores da missão angolana em Addis Abeba.
Segundo agenda divulgada pela UA, serão analisados, no encontro, os relatórios dos Sub-comités do COREP, de Estrututuas, dos Refugiados e Regressados, da Fome, seca e Emergencia, bem como farão a análise dos documentos de trabalho e dos projectos de decisões, em preparação para a 20ª Sessão Ordinária do Conselho Executivo, a decorrer de 26 a 27 deste mês.