Cartum - O Alto comissário da ONU para os refugiados (HCR), António Guterres, exortou quarta-feira Cartum e Juba a encontrar um acordo sobre o repatriamento dos sudaneses do Sul, dos quais centenas de milhares estão ainda no Norte, anunciou a AFP.
Segundo a ONU, cerca de 700 mil sudaneses do Sul continuam no Sudão. Cartum fixou até Abril para regularizar a sua situação ou partir para o Sul. Mas as Nações Unidas consideram difícil respeitar este prazo.
"A primeira coisa que iremos tentar fazer é obter um acordo entre o governo do Sudão e o governo do Sudão do Sul sobre um plano para deslocar estas pessoas", declarou Guterres, segundo um vídeo divulgado pela ONU.
O alto comissário exprimia-se num campo chamado Mandela onde os sudaneses do Sul encontram-se instalados em tendas enquanto esperam o regresso às suas áreas de origem.
O chefe do HCR precisou que os "mais vulneráveis" serão repatriados de avião ou por estrada. "Mas isso exigirá uma organização escrupulosa, corredores de segurança, bem como um acolhimento e integração da parte do Sul".
Guterres chegou a Cartum após ter deixado Juba, onde disse acreditar que a maioria dos 700 mil deslocados desejam instalar-se no Sudão do Sul.
"Este é um projecto enorme que requer uma cooperação estreita e construtiva entre os dois governos", declarou em Juba.
Um dos principais desafios para o Sudão do Sul é gerenciar o regresso de centenas de milhares de sudaneses do Sul vindos ao Norte durante a longa guerra civil sudanesa. Desde Outubro de 2010, cerca de 350 mil refugiados foram já repatriados.
A Organização internacional para as migrações devia assegurar o repatriamento, de barco e comboio, de cerca de 32 mil pessoas antes de finais de 2011.
A maior parte dos refugiados sobrevivem no Norte, há vários meses, em campos insalubres e superlotados, como o Mandela. E os que regressam ao Sudão do Sul acabam igualmente em campos, a espera de uma solução de alojamento sustentável.