Lisboa - O sector financeiro africano, apesar do impacto da crise financeira mundial de 2008, tem perspectivas favoráveis e até optimistas, segundo o relatório do BAD "Finanças em África: Para além da crise", que teve hoje (segunda-feira) os seus pontos principais apresentados em Lisboa.
O documento será somente lançado em Setembro pela instituição, mas os seus elementos mais importantes foram divulgados hoje, primeiro dia da reunião anual do BAD -- Banco Africano de Desenvolvimento, que decorre até sexta-feira, em Lisboa.
"Com efeito, se a recente crise financeira mundial comprometeu certos progressos conseguidos no início do século XXI em matéria de reforço do sector financeiro, as tendências são manifestamente favoráveis e, então, é preciso manter o optimismo", refere o resumo do documento.
Em inúmeros países africanos, os sistemas financeiros aprofundaram-se e numerosas empresas e famílias tiveram acesso aos serviços, nomeadamente ao crédito, que cresceu.
A concorrência e a inovação dominam cada vez mais os sistemas financeiros africanos e, por cada falha, há pelo menos um sucesso.
Entretanto, os benefícios de um sistema financeiro mais aprofundado, mais vasto e menos caro ainda não são palpáveis.
"O sistema financeiro africano enfrenta problemas de escala e volatilidade", indicou o relatório.
A liquidez, que permite conter a volatilidade e a fragilidade do sistema financeiro, pode ser vista também como um sinal de fraqueza de capacidade de intermediação.
No entanto, o sistema financeiro africano poderá tirar partido das novas oportunidades que oferece a globalização, as novas tecnologias e o reforço da integração regional.
O estudo do BAD mostra os esforços dos decisores africanos em aproveitar as oportunidades e revelar os desafios que se colocam ao desenvolvimento do sector financeiro do continente.
O documento referiu ainda que os serviços bancários ainda são limitados, apesar dos progressos, e é preciso que se expandam.
Os doadores e os governos têm um papel importante neste contexto de reforçar o sistema financeiro, sobretudo numa questão considerada crucial, que é o financiamento das pequenas e médias empresas, além do financiamento rural.
O governo deverá encorajar a concorrência, aplicar mecanismos de regulamentação do sector e incentivar também a inovação.
O relatório sublinhou também a falta de financiamento a longo prazo, que acaba por se reflectir no estado das infra - estruturas em África, nas redes de electricidade, rodovias em mau estado, entre outros problemas que revelam o atraso da região neste sector.
Os mercados de capitais em África continuam frágeis ao nível de liquidez, exceptuando a bolsa de Joanesburgo, "estando limitados por práticas obsoletas, de processos de inscrição e mecanismos de troca ineficazes."
Segundo o documento, apesar dos problemas, os sistemas financeiros africanos têm feito grandes progressos em termos de estabilidade financeira.
O documento indicou que a reforma do sector financeiro tem também um aspecto político, que acabará por se reflectir no aprofundamento e alargamento do sector.
Novos actores, novos meios de financiamento, novos mercados e produtos podem "colocar em perigo" as instituições tradicionais, que lhes serão resistentes.
A reforma no sector tenderá atrair também as pequenas empresas e a população que ainda não tem acesso à área financeira.