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07-04-2011 8:18

Côte d'Ivoire
Brasil reprova ataque da ONU a Laurent Gbagbo

São Paulo - Brasil, Índia e África do Sul criticaram quarta-feira a decisão do secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, de autorizar ataques à casa do presidente da Côte d'Ivoire, Laurent Gbagbo, ao palácio presidencial e a bases de militares leais a ele, na última segunda-feira, noticia o Folha do São Paulo.

 

O principal temor é que Missão de Paz das Nações Unidas na Côte dìvoire (UNOCI, na sigla em inglês) se torne parte do conflito no país africano e perca condições de impulsionar uma saída negociada.

 

Os ataques, executados pela França, facilitaram a ofensiva das forças do rival Alassane Ouattara.

 

Os três países, que formam o fórum Ibas, ocupam cadeiras não permanentes no Conselho de Segurança (CS) da ONU.

 

Eles manifestaram-se em reuniões a porta-fechada na sede da ONU, em Nova Iorque, segundo a Folha apurou. China, Rússia e Portugal tiveram posição semelhante.

 

Há oito dias, o CS aprovou por consenso a resolução 1975, que autoriza a Unoci a usar "todos os meios necessários" para "proteger civis sob ameaça iminente de violência física".

 

A justificativa de voto da delegação brasileira pediu "cautela e imparcialidade" na implementação da medida.

 

Indagado, o Itamaraty reconheceu que houve "desconforto" com a situação desta semana.

 

Ban negou que tivesse extrapolado o mandato do CS. Disse que autorizou a destruição de equipamentos de militares pró-Gbagbo porque eles eram usados para atacar ajuda humanitária e soldados da ONU. Nenhum país chegou a apresentar proposta de censura a ele.

 

A UNOCI foi criada em 2004 para supervisionar o cumprimento de acordo entre as facções rivais da Côte d'Ivoire.

 

Com 9.000 soldados, a maioria africanos, a UNOCI tem o apoio dos 1.500 militares da França baseados na ex-colónia. Os franceses não estão subordinados ao comandante da missão, um general do Togo.

 

Segundo críticos, a cumplicidade da ONU agora é em parte fruto de decisão anterior do CS, que em 2007 encarregou o enviado especial de Ban à Côte d'Ivoire para "certificar" as eleições previstas no acordo.

 

O enviado é o chefe civil da Unoci. Ao se tornar parte da disputa eleitoral, a sua capacidade de mediação teria sido reduzida.

 






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