Abidjan - O chefe do estado-maior das Forças de Defesa e Segurança (FDS) da Côte d'Ivoire, general Philippe Mangou, que desde Novembro de 2004 foi um dos pilares do poder do Presidente Laurent Gbagbo, refugiou-se quarta-feira na residência da embaixadora da África do Sul em Abidjan.
O general Mangou refugiou-se quarta-feira a noite, com a sua mulher e seus cinco filhos, na residência oficial da embaixadora sul-africana, noticia hoje (quinta-feira) a AFP.
Nascido a 26 de Janeiro de 1952, em Yopougon (grande bairro de Abidjan) , esse filho de pastores, integrou em 1978 na Escola das Forças Armadas de Bouaké, no centro do país.
Em Setembro de 2002, no momento da tentativa do golpe de Estado contra o presidente Laurent Gbagbo, ele revelou-se ao grande público, tornando-se o porta-voz das forças armadas.
Mangou foi nomeado por Laurent Gbagbo à frente do exército nacional a 13 de Novembro de 2004, substituindo o general Mathias Doué, exonerado.
Philippe Mangou tinha jogado um maior protagonismo na "Operação Dignidade" lançada a 4 de Novembro de 2004 pelas forças armadas que consistiu numa série de bombardeamentos aéreos contra as posições das Forças Novas (FN - rebelião) que controlava norte do país, desde 2002.
Mas essa ofensiva teve um êxito de pouca duração porque os bombardeamentos atingiram uma posição das forças francesas Licorne em Bouaké (centro), matando nove soldados gauleses.
Após a assinatura dos Acordos de Paz de Ouagadougou em 2007, ele trabalhava com o estado-maior das FN com vista a reunificação do país que continua virtual, mas os seus gestos de reaproximação fizeram baixar a tensão.
Quando eclodiu a crise das presidenciais de 28 de Novembro de 2010, como outros chefes militares do país mantiveram-se junto ao presidente cessante, cuja reeleição foi contestada pelo seu rival Alassane Ouattara, depois pela comunidade internacional, com a ONU a frente.
Durante várias semanas, o campo Ouattara esperava a adesão desse militar reputado de moderado, mas ele continiou leal até ao fim a Gbagbo.
Finalmente, nas últimas semanas, ele viu a sua autoridade pouco a pouco contestada, segundo fontes seguras, à tal ponto que uma fonte militar ocidental disse à AFP, antes da sua demissão que "Mangou não controla mais nada. Mas ele é bloqueado".