Bissau - O Governo guineense negou que tenha havido uma tentativa de golpe de Estado, mas confirmou um assalto ao paiol do Exército, e anunciou uma comissão de inquérito para analisar os conflitos militares ocorridos segunda-feira no país.
Questionado pelos jornalistas sobre uma alegada tentativa de golpe de Estado segunda -feira na Guiné-Bissau, o ministro da Educação, Artur Silva, falando em nome do Governo, respondeu de modo lacónico: "não".
Horas antes, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses, António Indjai, disse que "um grupo de militares quis alterar a ordem constitucional" no país, mas que a situação foi rapidamente controlada.
"Não aconteceu nada demais. Apenas posso dizer que há um grupo que quis alterar a ordem constitucional, mas o Estado-Maior General das Forças Armadas neutralizou-o e a situação está neste momento sob controlo", disse o general Indjai.
O porta-voz do Governo confirmou que "um grupo de pessoas assaltou o paiol do Estado-Maior do Exército e retirou algumas armas".
"Neste momento, está tudo sob controlo", disse Artur Silva.
O porta-voz do Governo não esclareceu o objectivo que motivou o assalto ao paiol nem confirmou a existência de detidos, remetendo explicações para a comissão de inquérito que será criada.
O governante guineense falava aos jornalistas no final de uma reunião entre dirigentes políticos guineenses e chefias militares, em que participou também o Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior.
"Infelizmente, houve essa perturbação à ordem, mas está tudo calmo", disse Carlos Gomes Júnior aos jornalistas, após o final da mesma reunião.
Os jornalistas questionaram Carlos Gomes Júnior sobre a possibilidade de envolvimento de políticos nos incidentes, mas o Primeiro-ministro escusou-se a responder, antes de entrar na sua viatura e dirigir-se para a sua residência.
Um dirigente do Movimento da Sociedade Civil da Guiné-Bissau, Luís Vaz Martins, denunciou ao final da manhã de segunda-feira a ocorrência de "movimentações militares anormais" nalguns quartéis do país, o que disse tratar-se de "mais uma insubordinação dos militares" ao poder civil.
A situação na capital permaneceu calma, mas a rua que dá acesso à casa do Primeiro-ministro em Bissau foi cortada ao trânsito no início da tarde e a segurança da zona foi reforçada com polícias e militares.
Por seu lado, o chefe do Estado-Maior da Armada, Bubo Na Tchuto, convocou os jornalistas para lhes dizer que não tinha nada a ver com as movimentações militares no país.
"O meu nome sempre é associado a confusão. Mas, posso dizer ao país que não tenho nada a ver com o que se estará a passar. Foi o próprio chefe do Estado-Maior (António Indjai) que me ligou, na manhã de segunda-feira, a perguntar se seriam os meus homens que tentaram atacar o paiol, ao que lhe respondi que não são os meus homens e não tenho nada a ver com tudo isso", disse Bubo Na Tchuto.