Lisboa - O agravamento da situação na Líbia, no 10.º dia da contestação popular contra o regime de Muammar Kadhafi, está a levar muitos países a intensificarem as operações de retirada de cidadãos residentes no país.
A União Europeia, cujos países membros ainda têm cerca de 6000 cidadãos a tentar sair da Líbia, está a tentar criar um dispositivo naval militar de apoio às operações de evacuação, activando um mecanismo de urgência para reunir recursos.
A título individual, vários países da UE têm já presença naval estabelecida ao largo da Líbia.
A Grécia tem uma fragata ao largo da Líbia e deverá reforçar a presença naval, o Reino Unido enviou também uma fragata para águas internacionais perto da Líbia, a Itália tem duas unidades navais na área e a Alemanha anunciou hoje o envio de duas fragatas e de um navio de apoio táctico para as costas líbias.
A retirada de estrangeiros a partir de Benghazi - a segunda maior cidade líbia, cerca de mil quilómetros a leste de Tripoli e cujo aeroporto está inoperacional - está a ser feita por via marítima, com o porto da cidade congestionado por navios fretados por vários países e empresas que pretendem retirar da Líbia cidadãos e trabalhadores.
A preparar-se para atracar em Benghazi está um navio grego fretado pela empresa brasileira de obras públicas Queirós Galvão, que deverá retirar da Líbia 49 portugueses, cinco irlandeses e algumas dezenas de brasileiros, todos funcionários da empresa, disse à Lusa fonte da embaixada de Portugal em Tripoli.
De acordo com agências internacionais, a Turquia, que tem 25.000 cidadãos na Líbia, já retirou de Benghazi 3000 pessoas, cidadãos turcos e de outras nacionalidades, a bordo de dois navios.
A Rússia enviou também um navio para Benghazi para participar na retirada de estrangeiros.
Por via aérea, a saída de estrangeiros está a ser feita a partir da capital líbia e hoje um avião fretado pela petrolífera BP fez o primeiro voo de regresso de cidadãos britânicos ao Reino Unido, com 150 pessoas a bordo.
Um avião militar francês retirou de Sebha, no sudeste da Líbia, na quarta-feira à noite 165 turistas, dos quais 152 de nacionalidade francesa.
A Itália, que tem 1500 cidadãos residentes na Líbia e retirou já do país cerca de 800 pessoas desde o início dos distúrbios, enviou hoje para Tripoli um avião militar Hércules C-130 para possibilitar a saída de mais algumas dezenas de pessoas.
Agências internacionais referiram também que o Egipto, que tem uma comunidade de cerca de 1,5 milhões de residentes na Líbia, foi autorizado a realizar 37 voos de retirada dos cidadãos, enquanto milhares de outros egípcios estão a regressar ao país de origem por terra através do posto fronteiriço de Al-Salum.
Países asiáticos com grande número de cidadãos na Líbia, na grande maioria trabalhadores em projectos petrolíferos, ferroviários e de telecomunicações, lançaram também operações de evacuação de grande envergadura.
Segundo informação divulgada pelos respectivos países, cerca de 60.000 cidadãos do Bangladesh, 33.000 chineses, 30.000 filipinos, 23.000 tailandeses e 18.000 indianos estão a tentar sair da Líbia.